CABO DE GUERRA

Ananias avisa: prefeitos do PL que contrariarem orientação podem parar na Comissão de Ética

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Ananias avisa: prefeitos do PL que contrariarem orientação podem parar na Comissão de Ética

A direção estadual do partido avalia levar à Comissão de Ética prefeitos que contrariem a orientação da legenda na disputa pelo Governo de Mato Grosso

O Partido Liberal (PL) de Mato Grosso intensificou a pressão sobre prefeitos da legenda que mantêm diálogo político com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), adversário do senador Wellington Fagundes na disputa pelo Governo do Estado. A direção estadual admite que a conduta de gestores que contrariem a orientação partidária poderá ser analisada pela Comissão de Ética.

O posicionamento foi confirmado pelo presidente estadual do PL, Ananias Filho, em entrevista concedida na sexta-feira (11). Segundo ele, a legenda acompanha de perto a movimentação dos prefeitos e poderá adotar medidas internas caso identifique ações consideradas incompatíveis com a estratégia definida para a eleição estadual.

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Entre os principais nomes que estão no radar da direção partidária aparecem o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira. Embora tenham sido eleitos pelo PL, os três mantêm aproximação ou diálogo político com Pivetta, que deverá enfrentar Wellington diretamente pela sucessão estadual.

A situação cria um impasse para a sigla. De um lado, a direção estadual busca concentrar forças na candidatura de Wellington. De outro, os prefeitos possuem interesses próprios nos municípios e precisam manter relações institucionais com o Governo do Estado para viabilizar obras, convênios e investimentos.

Além dos três gestores, outros prefeitos eleitos pelo PL em 2024 também aparecem no contexto da discussão interna. Entre eles estão Edilson Piaia, de Campo Novo do Parecis; Odair José, de Conquista D’Oeste; Sérgio Machnic, de Primavera do Leste; e Álvaro Galvan, de Tapurah.

A tensão ganhou força justamente porque o PL ampliou sua presença nas prefeituras nas eleições municipais de 2024. A legenda elegeu ao menos 21 prefeitos em Mato Grosso, fortalecendo sua estrutura política nos municípios. Agora, porém, a direção estadual enfrenta o desafio de manter esses gestores alinhados ao projeto político construído para 2026.

Ananias afirmou que o partido não pretende recuar diante dos embates eleitorais e declarou confiança na candidatura de Wellington Fagundes. Ao defender o senador, destacou a trajetória política de 32 anos e afirmou que o candidato é ficha limpa. Também sinalizou que a legenda pretende reagir aos ataques que eventualmente forem direcionados ao seu candidato.

Outro ponto citado pelo presidente estadual envolve as pesquisas eleitorais. De acordo com Ananias, o PL pretende contestar levantamentos que considerar irregulares e poderá recorrer à Justiça Eleitoral sempre que identificar problemas na metodologia ou na divulgação dos resultados.

Sobre o cenário eleitoral, ele afirmou que levantamentos qualitativos internos apontam uma disputa sem alterações bruscas entre os principais nomes. Segundo a avaliação apresentada, o quadro estaria relativamente estável, sem crescimento expressivo de nenhum dos dois candidatos que aparecem no centro da disputa.

A aproximação de parte dos prefeitos com Pivetta, portanto, acrescenta um novo componente à corrida pelo Palácio Paiaguás. Enquanto Wellington busca consolidar o apoio da estrutura partidária, a direção do PL tenta evitar que os próprios gestores eleitos pela sigla adotem posições que possam enfraquecer o projeto estadual durante a campanha.

A possibilidade de abertura de procedimentos internos coloca os prefeitos diante de uma escolha delicada entre preservar alianças construídas nos municípios e seguir integralmente a estratégia definida pela direção estadual do partido.