Proposta tramita desde abril e prevê R$ 2 milhões por mês para abastecimento e esgoto; presidente Wanderley Cerqueira adiou inclusão na pauta e diz que matéria precisa ser mais discutida
A água pode até faltar na torneira, mas, na Câmara de Várzea Grande, o que não falta é tempo para discutir. Enquanto moradores seguem convivendo com problemas históricos no abastecimento e na estrutura de água e esgoto, um projeto que autoriza o repasse de até R$ 16 milhões ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) continua sem chegar ao plenário para votação.
A proposta está protocolada na Câmara desde 28 de abril de 2026 e prevê a transferência de R$ 2 milhões por mês, até o limite de R$ 16 milhões, para custear despesas operacionais do abastecimento de água e do esgotamento sanitário. Nesta terça-feira (25), o líder da prefeita Flávia Moretti (PL), vereador Rogerinho da Dakar (PSDB), pediu que o projeto fosse incluído na pauta. O presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), porém, indeferiu o pedido.
A justificativa foi a necessidade de discutir melhor a proposta.
“Indefiro este projeto e, na próxima sessão, vamos estudar esse projeto”, declarou Wanderley.
E assim, entre uma sessão e outra, o problema da água continua esperando, aparentemente com mais paciência do que quem precisa abrir a torneira e encontrar alguma coisa além de ar.
Segundo Rogerinho, a aprovação da matéria é necessária para que a Prefeitura possa enviar recursos ao DAE e ajudar a enfrentar o déficit operacional da autarquia.
“É fundamental termos a aprovação deste projeto. São R$ 16 milhões ao todo que irão colaborar com melhorias no abastecimento, destinados à cobertura do déficit operacional e à manutenção da continuidade dos serviços públicos essenciais de abastecimento de água e esgotamento sanitário”, afirmou o vereador.
O projeto estabelece que os recursos tenham destinação exclusiva para o custeio operacional dos serviços de água e esgoto. Também prevê mecanismos de controle interno, transparência e rastreamento das despesas.
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Projeto está parado desde abril
O ponto que chama atenção é que a proposta não chegou à Câmara ontem. Ela está protocolada desde 28 de abril, há quase quatro meses. Ainda assim, a votação continua aguardando uma oportunidade.
Enquanto isso, o município segue enfrentando um dos problemas mais antigos e sensíveis para a população: o abastecimento de água.
O próprio projeto apresenta números preocupantes sobre a situação financeira do DAE. Documentos anexados à proposta indicam que a autarquia encerrou 2025 com déficit de R$ 13,32 milhões. Nos dois primeiros meses de 2026, o resultado negativo chegou a mais R$ 4,16 milhões.
A conta, portanto, não é pequena. E a solução proposta também não.
Dinheiro para água depende de votação
A proposta prevê que os R$ 16 milhões sejam utilizados exclusivamente para despesas operacionais relacionadas ao abastecimento de água e ao esgotamento sanitário.
Para viabilizar os repasses, a Prefeitura indicou recursos de dotações da Secretaria Municipal de Viação e Obras que estavam destinados originalmente a ações de ampliação do abastecimento e do sistema de esgoto. Segundo os documentos do projeto, R$ 10 milhões estavam previstos para o Projeto Pantanal e outros R$ 6 milhões para ações de abastecimento de água.
O texto também estabelece que o DAE deverá prestar contas da utilização dos valores e apresentar um plano de sustentabilidade econômico-financeira para tentar reduzir o déficit.
É claro que um projeto que movimenta R$ 16 milhões de dinheiro público precisa ser analisado com responsabilidade. Transparência, fiscalização e discussão são indispensáveis.
Mas também é legítimo perguntar: quanto tempo ainda é necessário para discutir uma proposta que está na Câmara desde abril, enquanto a crise no abastecimento continua sendo sentida pelos moradores?
A população não pode beber discurso, tomar banho de promessa ou cozinhar com justificativa.
Se existem dúvidas sobre o projeto, que sejam apresentadas. Se há necessidade de ajustes, que sejam feitos. Se existem questionamentos sobre a destinação dos recursos, que sejam esclarecidos.
Wanderley Cerqueira afirmou que o projeto deverá ser estudado novamente na próxima sessão. Portanto, a matéria não foi rejeitada definitivamente. O que houve nesta terça-feira foi o indeferimento do pedido de inclusão na pauta.
Até que os vereadores decidam pela votação, porém, a Prefeitura permanece sem a autorização legislativa necessária para realizar os repasses previstos na proposta.
Enquanto isso, Várzea Grande continua com um problema que não espera parecer, reunião ou votação: a água precisa chegar às torneiras.
Vídeo: Reprodução