SUSPEITA DE VAZAMENTO

Abilio vê "contaminação" em operação contra Mauro após falas de opositores

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Abilio vê "contaminação" em operação contra Mauro após falas de opositores
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini - Foto: Emanoele Daiane

Prefeito de Cuiabá afirma que declarações públicas de Pedro Taques e integrantes da família Campos indicavam previamente a realização da Operação Heritage e questiona o momento da ação

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), questionou a condução da Operação Heritage e afirmou acreditar que declarações públicas feitas por adversários políticos indicavam, com antecedência, que a ação da Polícia Federal seria deflagrada contra o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), candidato ao Senado nas eleições deste ano.

Durante entrevista concedida à imprensa nesta sexta-feira (7), Abilio citou manifestações do ex-governador Pedro Taques (PSB), do senador Jayme Campos (União Brasil) e de integrantes da família Campos para sustentar a tese de que a operação já era conhecida antes do cumprimento dos mandados.

“Eu vi que o Pedro Taques foi lá e fez uma fala, possivelmente até dando a data de quando seria. Eu acho que a irmã do Júlio Campos também gravou um áudio falando que o dia 5 não passa e coisa e tal. O Jayme dando entrevistas falando que a operação bateria na porta dessas pessoas e tudo mais”, afirmou.

A declaração foi feita um dia após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra Mauro Mendes e outros investigados na Operação Heritage. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também determinou medidas cautelares, como bloqueio de bens, quebra de sigilos bancário e fiscal e recolhimento de passaportes.

Na avaliação do prefeito, operações dessa natureza não deveriam ocorrer com informações circulando previamente entre agentes políticos, especialmente em um período marcado pela disputa eleitoral.

“Então eu acho que é difícil uma operação com data marcada informando os agentes políticos quando vai acontecer. E ainda mais um dia depois das convenções partidárias. Eu acho que isso acaba contaminando o processo da investigação”, declarou.

Abilio também mencionou um entendimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) relacionado à realização de operações envolvendo candidatos durante o período eleitoral. Segundo ele, esse tipo de medida deve ser adotado apenas quando houver fatos novos que justifiquem a atuação imediata das autoridades.

“Agora, se estiver acontecendo agora, se os fatos estiverem acontecendo agora, se aquele escândalo de corrupção como eles estão apontando estiver acontecendo agora, aí sim há um porquê de se fazer”, disse.

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Ao comentar o caso, o prefeito fez uma comparação com a investigação sobre o cartão de vacinação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Abilio, a divulgação de operações durante o período eleitoral pode provocar desgaste político antes mesmo da conclusão das apurações.

“Durante o período eleitoral foram lá investigar o Bolsonaro, se ele tinha vacinado ou não um fraudado cartão de vacina. Aí foram lá na casa do Bolsonaro, pegaram o cartão, fizeram toda aquela narrativa durante o período eleitoral”, afirmou.

Na sequência, ele disse que a investigação envolvendo o ex-presidente acabou sendo arquivada após o pleito e sustentou que o episódio gerou impactos políticos durante a campanha.

“Passou as eleições, foi arquivado esse processo. Ou seja, durante o período eleitoral sangrou o Bolsonaro com várias narrativas, com operações e tudo mais”, declarou.

O prefeito também questionou a necessidade das medidas cautelares impostas a Mauro Mendes, especialmente a apreensão do passaporte, considerando que o ex-governador disputa uma vaga no Senado.

“Ele é candidato ao Senado, pô. Ele vai fugir? Ele vai sair daqui da candidatura dele ao Senado pra fugir do quê? Desculpe, eu acho que acabou virando um cartão de vacina do Bolsonaro. De mesmo jeito, eu acho que prejudica todo o processo”, afirmou.

Apesar das críticas à forma como a operação foi conduzida, Abilio ressaltou que considera legítima a continuidade das investigações, desde que haja elementos que justifiquem a apuração.

“Agora, a investigação em si tem que investigar. Investiga mesmo para saber o que houve, se de fato aconteceu aquilo ali e tudo mais”, concluiu.