"NÃO POSSO SER INCOERENTE"

Abilio critica composição com o MDB, desafia PL e diz que prefere ser liberado ou até expulso

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Abilio critica composição com o MDB, desafia PL e diz que prefere ser liberado ou até expulso
Foto: Rennan Oliveira

Aliança entre PL e MDB enfrenta resistência pública de Abilio Brunini

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), tornou pública sua discordância em relação à aliança firmada entre o Partido Liberal (PL) e o MDB para a disputa das eleições de 2026 em Mato Grosso. Em publicações feitas nos stories do Instagram, na noite deste domingo (2), o prefeito afirmou que não participará da campanha ao lado do MDB e declarou que a composição contraria sua trajetória política.

A manifestação ocorreu poucas horas após a confirmação da chapa que disputará o Governo do Estado. Pelo acordo, o senador Wellington Fagundes (PL) será o candidato ao Palácio Paiaguás, tendo o empresário Marcelo Maluf (Novo) como vice. Para o Senado, a coligação definiu as candidaturas do deputado federal José Medeiros (PL) e da deputada estadual Janaina Riva (MDB), presidente estadual da legenda.

Ao comentar o assunto, Abilio foi direto ao afirmar que não acompanhará a decisão do partido.

"Não estarei com o MDB. Não posso ser incoerente", escreveu.

Na sequência, o prefeito explicou que sua resistência está ligada ao histórico de embates políticos com integrantes do MDB. Entre os nomes citados por ele estão o deputado estadual Eduardo Botelho, adversário na disputa pela Prefeitura de Cuiabá em 2024; o deputado Thiago Silva; o ex-prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin; o ex-prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat; e a ex-vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa.

Segundo Abilio, todos estiveram em lados opostos ao seu ou de lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro em eleições recentes, motivo pelo qual considera incoerente dividir o mesmo projeto político.

"Brigamos na última eleição e continuamos oponentes. Agora querem colocar todo mundo no mesmo ônibus e fazer de conta que somos amiguinhos. Não dá não", afirmou.

O prefeito também comparou a situação a uma eventual aliança entre o PL e o PT para reforçar que não pretende apoiar automaticamente qualquer decisão partidária.

"Se meu partido em Mato Grosso juntar com o PT, por fidelidade partidária tenho que apoiar o PT? Não esperem isso de mim. Ou me libera, ou tolera, ou expulsa. Com o PT e MDB eu não vou", declarou.

A posição de Abilio evidencia a resistência de uma ala bolsonarista do PL à composição com o MDB, especialmente à participação de Janaina Riva na chapa majoritária. Durante as negociações, parte dos dirigentes e filiados já demonstrava desconforto com a possibilidade de aliança em razão das divergências políticas acumuladas nos últimos anos.

Apesar das críticas internas, a executiva nacional do Partido Liberal manteve o entendimento e autorizou a formação da coligação. Mais cedo, Wellington Fagundes confirmou oficialmente a composição da chapa, enquanto Janaina Riva comunicou aos filiados do MDB que o acordo havia sido fechado após conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Na mensagem, a deputada também afirmou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro participarão da campanha eleitoral em Mato Grosso.

A aliança deverá ser formalizada na convenção estadual do MDB, marcada para esta terça-feira (4), quando o partido deve homologar a candidatura de Janaina ao Senado e ratificar a coligação com o PL. Até o fechamento desta reportagem, a direção estadual do Partido Liberal não havia se manifestado sobre as declarações do prefeito de Cuiabá.