Crime que chocou Mato Grosso completa seis anos neste 12 de julho. Condenada quando era adolescente, autora do disparo cumpriu medida socioeducativa e hoje está em liberdade, o que revolta familiares e amigos da vítima
Seis anos após a morte da adolescente Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, a dor da família permanece tão intensa quanto no dia 12 de julho de 2020. Neste domingo (12), parentes e amigos voltaram a cobrar Justiça e afirmam viver um sentimento de impunidade ao ver que a jovem responsável pelo disparo fatal já está em liberdade e aparece com frequência em publicações nas redes sociais, inclusive em festas e eventos, como a tradicional Festa do Peão de Barretos.
Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)
Em entrevista exclusiva ao site FTN Brasil, a mãe de Isabele afirmou que, mesmo após seis anos, a ausência da filha continua sendo sentida diariamente. Segundo ela, o tempo não apagou a dor da perda, apenas ensinou a família a conviver com uma realidade que jamais imaginou enfrentar.
"A dor nunca vai embora. A gente aprende a conviver com ela, porque precisa continuar vivendo, mas ela continua aqui todos os dias. Não existe um dia em que eu não pense na Isabele. A saudade só aumenta, porque o tempo vai mostrando tudo o que ela deixou de viver", afirmou.
Para a mãe, a passagem dos anos trouxe apenas uma mudança na forma de lidar com o sofrimento. Ela explica que o desespero dos primeiros momentos diminuiu, mas a falta da filha permanece presente em todas as ocasiões importantes da família.
"O tempo ameniza o desespero, mas não a saudade. A ausência dela está presente em todos os momentos. Cada aniversário, cada Natal, cada conquista da família… sempre falta alguém, e esse alguém é a Isabele", relatou.
Ela conta que a família precisou seguir em frente, mas que a vida nunca mais voltou a ser como antes da morte da adolescente.
"Nós seguimos em frente porque precisamos, mas nunca voltamos a ser a mesma família. Aprendemos a conviver com uma ausência que jamais será preenchida. Cada um enfrenta essa dor do seu jeito, mas todos sentimos falta dela", disse.
A mãe também relembrou os detalhes da convivência com Isabele e afirmou que são justamente os momentos simples do cotidiano que mais fazem falta.
"Tudo. O sorriso dela, a voz, o jeito carinhoso, as conversas, os planos… Faz falta até o que parecia mais simples. A casa nunca mais foi a mesma", declarou.
O crime que chocou o país
Na tarde de 12 de julho de 2020, Isabele foi até a residência da amiga, localizada no condomínio Alphaville, em Cuiabá. Segundo a versão inicialmente apresentada, as duas preparavam um bolo quando ocorreu um suposto disparo acidental dentro do banheiro da casa.
Desde o início, porém, a versão passou a ser contestada pelas investigações.
Pouco mais de um mês depois, em 12 de agosto de 2020, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu que o tiro foi disparado com a arma apontada diretamente para o rosto da adolescente, a uma distância estimada entre 20 e 30 centímetros, resultado incompatível com a hipótese de um disparo acidental durante o manuseio da arma.
Dias depois, em 19 de agosto, foi realizada a reconstituição do crime.
Polícia descartou versão apresentada
As investigações da Polícia Civil apontaram diversas contradições no depoimento da adolescente responsável pelo disparo.
Em 2 de setembro de 2020, ela foi indiciada por ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso. A conclusão dos investigadores foi de que a versão apresentada não correspondia às provas técnicas produzidas durante o inquérito e que, no mínimo, ela assumiu o risco de provocar a morte da amiga.
O Ministério Público também pediu sua internação provisória.
A Justiça chegou a determinar o cumprimento da medida, mas ela permaneceu internada por menos de 12 horas após obter habeas corpus, respondendo ao processo em liberdade com medidas cautelares.
Condenação e internação
Em janeiro de 2021, a adolescente foi condenada por ato infracional análogo ao homicídio qualificado e encaminhada ao Lar Menina Moça, no Complexo do Pomeri, em Cuiabá.
A magistrada responsável pela sentença afirmou que a jovem agiu com "frieza, hostilidade, desamor e desumanidade", determinando sua internação em unidade socioeducativa, cuja duração máxima prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente é de três anos.
Durante o período da medida socioeducativa, a defesa apresentou diversos pedidos de progressão e liberdade, mas o Ministério Público se manifestou repetidamente pela manutenção da internação.
Em uma das decisões, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a adolescente internada, apesar de parecer favorável emitido pela equipe técnica da unidade socioeducativa.
Pais e outras pessoas também viraram réus
As investigações não se limitaram à autora do disparo.
Os pais da adolescente responderam por homicídio culposo, posse ilegal de arma de fogo, entrega de arma a menor, fraude processual e corrupção de menores.
Também foram denunciados o pai do namorado da jovem, proprietário da pistola utilizada no crime, e o próprio namorado, que levou a arma até a residência naquele dia.
Justiça e o sentimento de impunidade
Ao falar sobre a decisão da Justiça, a mãe de Isabele afirma que nenhuma sentença será capaz de reparar completamente a perda da filha.
"Como mãe, eu nunca vou sentir que houve justiça, porque a única coisa que eu queria era minha filha viva. Nenhuma decisão vai trazer a Isabele de volta", afirmou.
Ela também falou sobre a dor de acompanhar a vida da jovem responsabilizada pela morte da filha.
"Minha filha não teve a oportunidade de realizar os sonhos dela, de estudar, trabalhar, formar uma família. Ver outra pessoa seguindo a vida normalmente enquanto a minha filha teve a vida interrompida é algo que machuca muito", disse.
Segundo ela, ver notícias ou imagens de Bianca em momentos de lazer provoca lembranças sobre tudo que Isabele deixou de viver.
"Eu evito alimentar esse sofrimento, mas quando vejo essas notícias, penso em tudo o que a Isabele deixou de viver", relatou.
A mãe afirma que, em muitos momentos, sentiu que a família acabou sendo esquecida pelo sistema de Justiça após o caso deixar de ocupar espaço frequente na imprensa.
"Depois que o caso deixa de ocupar espaço na imprensa, parece que a dor da família também é esquecida. Mas nós continuamos vivendo essa ausência todos os dias", declarou.
Caso segue vivo na memória
Mesmo após seis anos, familiares e amigos continuam promovendo homenagens e manifestações para manter viva a memória de Isabele.
Hoje, enquanto a autora do disparo já cumpriu a medida socioeducativa e vive em liberdade, a família afirma que convive diariamente com a ausência de Isabele, que teve a vida interrompida aos 14 anos.
Seis anos depois, o nome da adolescente continua sendo lembrado por quem acredita que a Justiça ainda não foi suficiente para reparar uma perda considerada irreparável.Mesmo após seis anos, familiares e amigos continuam promovendo homenagens e manifestações para manter viva a memória de Isabele.
Hoje, enquanto a autora do disparo já cumpriu a medida socioeducativa e vive em liberdade, a família afirma que convive diariamente com a ausência da adolescente, que teve a vida interrompida aos 14 anos.
A mãe afirma que continua acompanhando os caminhos jurídicos do caso e que a família seguirá buscando aquilo que considera justo.
"Nossa família sempre buscou orientação jurídica e tomou todas as medidas que estavam ao nosso alcance dentro da lei. Enquanto houver algum caminho legal possível, nós continuaremos buscando aquilo que entendemos ser justo", afirmou.
Apesar da dor, ela reforça que o maior desejo é que Isabele seja lembrada pela pessoa que foi enquanto esteve viva.
"Eu gostaria que ela fosse lembrada pelo que ela era: uma menina alegre, inteligente, cheia de sonhos, amorosa e muito querida. Que as pessoas lembrem da vida dela, e não apenas da forma como ela partiu."
A mãe também agradeceu às pessoas que continuam lembrando da adolescente e apoiando a família.
"Quero agradecer por nunca terem esquecido da Isabele. Cada oração, cada mensagem e cada gesto de carinho nos deram forças para continuar. Enquanto houver pessoas lembrando dela, a história da minha filha continuará viva."
Seis anos depois, o nome de Isabele continua sendo lembrado por familiares, amigos e pessoas que acompanham o caso e defendem que a perda de uma vida aos 14 anos deixou uma marca impossível de ser apagada.