Senador defendeu que suspeitas de corrupção devem ser investigadas independentemente do calendário eleitoral
O senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo de Mato Grosso, fez críticas indiretas ao deputado federal José Medeiros (PL), que também integra sua chapa, ao defender a realização de operações policiais mesmo durante o período eleitoral.
A divergência surgiu após Medeiros questionar a realização da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal e que teve entre os alvos o ex-governador Mauro Mendes (União), adversário do deputado na disputa por uma vaga ao Senado. A investigação apura possíveis irregularidades relacionadas a um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi.
Medeiros defendeu que operações envolvendo candidatos fossem evitadas nos seis meses anteriores às eleições. Para ele, medidas desse tipo próximas ao pleito podem provocar impactos não apenas sobre o investigado, mas também sobre os demais integrantes da chapa ou coligação.
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“Ninguém vai morrer se uma operação deixar de ser feita seis meses antes do período eleitoral. Eu penso que teve todo o tempo do mundo e tem todo o tempo do mundo para se fazer todas as operações possíveis antes do período eleitoral”, afirmou.
O deputado também classificou como uma coincidência a deflagração da Heritage justamente no período de registro das candidaturas.
“Em que pese ser meu adversário, é uma operação no dia do registro das candidaturas, ela é muita coincidência para ser só coincidência”, declarou.
Um dia depois, Wellington abordou o assunto durante discurso no Senado e defendeu uma posição diferente. Sem citar Medeiros nominalmente, o senador afirmou que o calendário eleitoral não pode impedir investigações sobre possíveis irregularidades.
Wellington cobrou rapidez na apuração da Heritage e rejeitou a ideia de que a operação possa ser considerada exclusivamente eleitoral por ter ocorrido durante o período de campanha.
“É nossa exigência e que seja rápida, porque agora já está em curso uma eleição e não venham dizer que isso é uma denúncia apenas eleitoreira, porque isso foi feito lá atrás e nós nunca acusamos. E nós só pedimos as investigações”, afirmou.
Em outro trecho do discurso, o senador classificou como “absurdo” considerar inadequada uma investigação realizada durante uma eleição, especialmente quando há suspeitas de crimes contra o patrimônio público.
“Quero aqui dar uma satisfação ao povo do meu estado para não vir alguém amanhã e dizer que é inoportuna fazer uma investigação em período eleitoral como se alguém roubar durante a campanha não pode ser investigado. Isso é um absurdo. Que me desculpe quem tem a ousadia de fazer uma afirmação como essa”, declarou.
Embora não tenha mencionado Medeiros, a manifestação ocorreu apenas um dia após o deputado apresentar sua defesa para restringir operações policiais contra candidatos durante a proximidade das eleições.
A Heritage atingiu diretamente o grupo político de Mauro Mendes, que é candidato ao Senado pelo União Brasil. Além do ex-governador, a operação alcançou integrantes de seu círculo político e familiar.
A investigação conduzida pela Polícia Federal apura suspeitas relacionadas ao acordo firmado entre o Estado e a operadora Oi. O caso já provocou reações distintas entre os grupos políticos envolvidos na eleição de Mato Grosso.
Wellington, que disputa o Governo pelo PL, sustentou que a população tem direito a respostas das autoridades e que denúncias não devem ser deixadas de lado em razão do calendário eleitoral.
“A população exige uma resposta, porque o cidadão que está lá pagando imposto ele não aceita, porque ele está sofrendo”, afirmou.