DESCASO NA SAÚDE

Larvas em ferimento de adolescente expõem denúncias sobre atendimento no PS de VG

· 3 min de leitura
Larvas em ferimento de adolescente expõem denúncias sobre atendimento no PS de VG
Foto: Secom-VG

Jovem de 17 anos passou por cirurgia após acidente de moto; família relata falta de higiene, demora na troca do curativo e condições precárias durante internação

O que deveria ser um período de recuperação após uma cirurgia acabou se transformando em motivo de revolta para uma família em Várzea Grande. Segundo informações divulgadas pelo portal Primeira Página, um adolescente de 17 anos, internado no Pronto-Socorro Municipal após sofrer um grave acidente de moto, teve miíase, com presença de larvas, identificada na região externa da ferida operatória, conforme informado posteriormente pela direção da unidade. O problema foi percebido na manhã desta quarta-feira (12), três dias após o procedimento.

O adolescente, Vanderson Campos de Magalhães, sofreu o acidente na madrugada de domingo (9), em uma fazenda de Nossa Senhora do Livramento. Ele trabalhava com gado e conduzia uma motocicleta Titan quando sofreu o acidente, por volta das 5h. Com fraturas no braço e na perna, foi encaminhado ao Pronto-Socorro de Várzea Grande, onde passou por cirurgia ainda no domingo.

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Três dias depois, larvas aparecem no braço

Segundo a família, a orientação recebida era para que o adolescente tomasse banho 24 horas após o procedimento. Os parentes afirmam, porém, que ele permaneceu sem banho na segunda-feira (10) e na terça-feira (11).

Na manhã de quarta-feira, Vanderson teria reclamado de uma sensação estranha no braço operado. Foi então que os familiares perceberam larvas saindo da região do ferimento.

A mãe do adolescente, Creonice Silvas Campos, procurou os profissionais da unidade e relatou a situação. Conforme o relato da família, o jovem chegou a ser levado ao centro cirúrgico para avaliação, mas retornou posteriormente ao quarto. Os parentes afirmam ainda que o curativo só teria sido trocado horas depois, por volta das 22h.

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Vídeo: reprodução/Primeira Página

Família denuncia condições precárias

O episódio não seria, segundo os familiares, o único problema enfrentado durante a internação.

A família afirma que o quarto onde o adolescente está internado não teria limpeza adequada e não contaria com ar-condicionado. A mãe também reclama da alimentação oferecida ao filho e afirma que ele estaria recebendo principalmente mingau.

A situação aumentou a indignação dos familiares, que cobram respostas e melhores condições para o adolescente enquanto ele permanece internado.

O caso levanta uma questão que não pode ser ignorada: quem entra em um hospital para se recuperar de uma cirurgia deveria precisar lutar também por condições básicas de higiene e cuidado?

Divulgado pelo portal Primeira Página, a direção do Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande (HPSVG) informou, em nota, que o adolescente permanece sendo acompanhado por uma equipe médica multidisciplinar.

Segundo a unidade, após a identificação de miíase na região externa da ferida operatória, as equipes médica e de enfermagem foram acionadas para realizar a limpeza do local e adotar os cuidados necessários. O procedimento ocorreu na manhã desta quarta-feira (12).

A manifestação oficial confirma, portanto, a ocorrência de miíase, condição caracterizada pela presença de larvas de moscas em tecidos ou feridas, mas não estabelece que o problema tenha sido provocado por falta de higiene ou pela ausência de banho relatada pela família. A origem do quadro deverá ser esclarecida pela avaliação médica.

Veja nota na íntegra:

Por conduta médica, o ortopedista responsável considerou necessária uma avaliação mais detalhada da região do braço, encaminhando o paciente ao centro cirúrgico para verificar a possibilidade de presença de miíase no interior da ferida operatória. O procedimento foi realizado no período noturno, em razão da necessidade de atendimento de outras cirurgias ortopédicas de urgência que ocorreram no pronto-socorro e da adoção das precauções específicas necessárias para o procedimento.

Durante a avaliação realizada pelo médico ortopedista, não foi constatada presença de miíase no interior da ferida operatória. E por conduta médica, pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos permanecem por até 24 horas sem tomar banho, como medida de segurança.

Os curativos seguem a programação assistencial estabelecida pela equipe, com acompanhamento contínuo da evolução da ferida e adoção das condutas necessárias.

A família também está sendo devidamente assistida e informada sobre o quadro clínico do paciente, bem como sobre os cuidados necessários, sendo orientada a colaborar com a equipe assistencial durante o período de internação.

O paciente permanece internado sob acompanhamento médico e de enfermagem até a sua recuperação para alta médica.

A Secretaria Municipal de Saúde acompanha de forma contínua a assistência prestada ao paciente, em conjunto com a direção do HPSVG e as equipes responsáveis, assegurando o acompanhamento das condutas e dos cuidados necessários durante a internação.