Clima de divisão marcou o encontro do União Brasil, com protestos contra Mauro Mendes, pedido de impugnação da candidatura e apelo por decoro durante a convenção
A convenção estadual do União Brasil, realizada nesta quinta-feira (30), foi marcada por um ambiente de forte tensão política, vaias ao ex-governador Mauro Mendes e uma tentativa de barrar sua candidatura antes mesmo do início da votação. O principal embate ocorreu quando o deputado estadual Júlio Campos apresentou uma questão de ordem pedindo à Mesa Diretora a retirada do nome de Mendes da cédula de votação, sob a alegação de irregularidades no registro da chapa.
Momento em que o ex-governador, Mauro Mendes é vaiado em convenção - Vídeo: Daniel Brustolon, do FTN Brasil
Ao justificar o pedido, Júlio Campos afirmou que a candidatura do ex-governador contrariava as normas internas da legenda. "Considerando que a chapa submetida à votação apresenta irregularidades e incompatibilidades com o Estatuto e o Regulamento do partido, requer seja proferida decisão fundamentada por esta Mesa Diretora antes do prosseguimento da votação", declarou. Enquanto o parlamentar apresentava a questão de ordem, o presidente da convenção interrompeu a manifestação e pediu que o discurso fosse abreviado. "Espera aí, espera aí, espera aí. Eu já estou há aproximadamente 10, 15 minutos ouvindo o senhor. Por favor, resuma e conclua, no tempo previamente estabelecido", disse. Mesmo após a intervenção, Júlio Campos prosseguiu com a defesa do requerimento. O deputado pediu que toda a discussão fosse registrada oficialmente em ata. "Requer que esta questão de ordem, bem como a decisão a ser proferida, sejam integralmente consignadas na ata da convenção, com a respectiva fundamentação", afirmou. Em seguida, solicitou que, caso o pedido fosse rejeitado, fosse registrado protesto para resguardar eventual questionamento judicial. "Na hipótese de indeferimento da presente questão de ordem, requer que seja registrado expressamente o protesto, para fins de preservação de eventual direito de impugnação ou de controle jurisdicional da legalidade do procedimento convencional", declarou.
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O parlamentar ainda requereu a juntada do relatório saneador elaborado pela Comissão Executiva do União Brasil, sustentando que o documento deveria subsidiar a decisão da Mesa Diretora. "Por se tratar de matéria de ordem pública interna, relacionada à regularidade do procedimento convencional, requer que a presente questão de ordem seja apreciada antes da votação da chapa para governador, em estrita observância ao Estatuto do partido", concluiu. O pedido ampliou o clima de divisão que já tomava conta da convenção. Durante praticamente todo o evento, Mauro Mendes foi alvo de vaias por parte dos convencionais. As manifestações ocorreram sempre que seu nome era anunciado ou quando fazia uso da palavra, contrastando com os aplausos recebidos por outras lideranças da legenda. Em alguns momentos, as vaias chegaram a interromper discursos, obrigando organizadores e aliados a agir para restabelecer a ordem e dar sequência à programação. Ao discursar na mesa de honra, Mauro Mendes afirmou que respeitava o direito de manifestação dos presentes, mas fez um apelo para que o ambiente fosse preservado. "Respeito a manifestação de todos, mas peço que mantenham o decoro durante esta convenção", disse o ex-governador, acrescentando que as divergências fazem parte do processo democrático, desde que ocorram de forma respeitosa. Apesar do apelo, as manifestações voltaram a ser registradas em outros momentos da convenção, especialmente quando Mauro Mendes era citado ou voltava a discursar. As vaias e a tentativa de retirada de seu nome da cédula transformaram o encontro partidário em um dos episódios de maior tensão política da pré-campanha, expondo o racha interno no União Brasil e o desgaste enfrentado pelo ex-governador junto a uma parcela da militância da sigla.