Prefeita de Várzea Grande evita Wellington Fagundes, mantém distância de Pivetta e diz que sua prioridade é a gestão
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), parece ter encontrado uma solução confortável para um dos dilemas políticos mais delicados de 2026: não escolher lado pelo menos por enquanto.
Filiada ao PL, partido que lançou o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso, Moretti decidiu não declarar apoio ao correligionário. Também evita embarcar oficialmente no projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição.
A justificativa é conhecida: a prefeita afirma que precisa concentrar suas energias nos problemas de Várzea Grande, deixando a disputa eleitoral para depois.
“Eu pretendo hoje ficar focada na minha gestão, no meu governo, no meu município”, afirmou.
Até aí, tudo muito administrativo. O problema é que, em política, neutralidade em ano eleitoral também é um posicionamento.
Flávia Moretti já havia sinalizado anteriormente que sua decisão poderia depender dos compromissos que os candidatos assumissem com Várzea Grande. Em julho, ela afirmou que só anunciaria seu apoio após as convenções e deixou Wellington e Pivetta no mesmo campo de possibilidades.
Agora, porém, a prefeita parece ter apertado ainda mais o botão da cautela.
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Segundo Moretti, declarar apoio a um dos dois poderia prejudicar sua relação institucional com o outro.
“Se eu partir para um lado de declaração de voto, ou de um lado ou do outro, eu tenho certeza que nenhum dos lados vai fazer algo para mim”, declarou.
De um lado está Wellington Fagundes, senador e candidato do próprio partido de Flávia. Do outro, Pivetta, governador e adversário direto do projeto eleitoral do PL.
Enquanto isso, a prefeita prefere permanecer no meio do caminho.
PL cobra fidelidade, mas recua da punição
A situação também expôs um desconforto dentro do próprio PL.
O presidente estadual da legenda, Ananias Filho, chegou a defender maior unidade em torno da candidatura de Wellington e, em maio, chegou a falar em possíveis medidas contra integrantes do partido que apoiassem adversários.
Mais recentemente, entretanto, o tom mudou.
Durante a convenção estadual do PL, em julho, Ananias adotou uma postura mais conciliadora e afirmou que trabalharia pelo diálogo, descartando punições rigorosas ou expulsões de prefeitos que não acompanhassem Wellington.
Ou seja: a corda que parecia esticada acabou ficando frouxa.
E Flávia, aparentemente, percebeu que pode continuar caminhando entre os dois palanques sem precisar escolher imediatamente um deles.
A prefeita insiste que sua prioridade é Várzea Grande, argumento difícil de contestar quando uma cidade enfrenta problemas que exigem atenção permanente do Executivo.
Ainda mais quando o governador é um dos principais parceiros institucionais do município e o candidato oficial do partido da prefeita disputa justamente contra ele.
A própria movimentação política dos últimos meses mostra que a relação de Flávia com Pivetta não é exatamente distante. O governador já declarou que vê como voluntária a decisão de prefeitos do PL sobre qual candidatura apoiar, enquanto Wellington reconheceu que não contava, naquele momento, com o apoio declarado de Flávia e de Abilio Brunini.
No fim das contas, a prefeita escolheu uma terceira via: não dizer nem sim, nem não.
Resta saber se essa estratégia de ficar em cima do muro sobreviverá quando a campanha começar oficialmente e os candidatos baterem à porta pedindo algo que, até agora, Flávia prefere guardar a sete chaves: o voto e o palanque.