Prefeitos apoiam candidato da oposição Otaviano Pivetta
O presidente estadual do Partido Liberal (PL), Ananias Filho, confirmou a abertura de procedimentos disciplinares contra os prefeitos Flávia Moretti, de Várzea Grande, Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, e Sérgio Machnic, de Primavera do Leste. Os três são alvos de apuração interna por suposta infidelidade partidária após declararem apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A decisão foi tomada pela direção estadual da legenda depois que os prefeitos passaram a atuar publicamente em favor de Pivetta, contrariando o projeto do próprio partido, que lançou o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso.
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De acordo com Ananias, os integrantes da sigla haviam sido orientados a pedir licença das atividades partidárias ou deixar o PL caso optassem por apoiar um candidato de outra legenda. Como isso não ocorreu, os três prefeitos passaram a responder aos procedimentos disciplinares.
O dirigente afirmou que os envolvidos terão direito à defesa antes de qualquer decisão definitiva. A previsão é de que os processos sejam concluídos entre 30 e 40 dias, quando a direção partidária deverá avaliar as medidas cabíveis.
Apesar da possibilidade de expulsão, Ananias rejeitou a ideia de que esteja promovendo uma espécie de “faxina” no PL. Para ele, o processo representa uma seleção interna daqueles que pretendem permanecer alinhados às decisões da legenda.
“Eu falo que vai ter uma depuração. Eu estou no PL desde o final da década de 80. Eu passei pelo PL em altas, em baixas, em alta, no meio, e eu nunca desisti do PL, eu nunca saí do PL”, afirmou durante entrevista à imprensa na Assembleia Legislativa, nesta quarta-feira (2).
Ananias também fez questão de dizer que permanecer fiel ao partido não significa necessariamente concordar com todas as decisões tomadas pela legenda. Como exemplo, citou uma aliança firmada pelo PL em 2002 com um político que, segundo ele, tinha posicionamento de esquerda.
“O PL fez aliança no ano de 2002 com um cidadão da esquerda. Eu fui contra, lutei para ser contra, mas aceitei a decisão porque foi da maioria e eu engoli seco e fui lá e apoiei, fiz o apoiamento, porque eu sou partidário e eu não sou covarde e não sou infiel”, declarou.
A abertura dos procedimentos ocorre em meio a uma disputa política dentro do próprio PL de Mato Grosso. Enquanto Wellington Fagundes tenta consolidar sua candidatura ao Governo, os prefeitos investigados pela direção partidária já manifestaram apoio a Pivetta.
A situação coloca em lados opostos integrantes da mesma legenda e pode resultar em punições internas caso os processos concluam pela violação das regras partidárias.
Flávia Moretti, Cláudio Ferreira e Sérgio Machnic ainda poderão apresentar suas justificativas antes da decisão. Somente após a análise das defesas é que a direção do PL deverá definir se haverá alguma penalidade, que pode chegar à expulsão do partido.