Governador diz que parlamentares têm “rabo preso” e critica falta de reação diante da crise envolvendo o STF
O governador de Mato Grosso e candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), aproveitou o desfile de 7 de Setembro, nesta segunda-feira (7), em Cuiabá, para subir o tom contra o Senado Federal e defender uma renovação da bancada nas eleições de 2026.
Durante a manifestação, Pivetta afirmou que parte dos senadores não teria liberdade para exercer o mandato e acusou parlamentares de deixarem de votar medidas que, na avaliação dele, seriam necessárias para o país. A declaração ocorreu em meio à crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e às discussões sobre a atuação do Senado diante de eventuais pedidos de impeachment de ministros da Corte.
“Independência do Brasil é um dia de comemorar, mas também de refletir. Olha que tamanho é a nossa independência hoje, com esse Congresso Nacional que nós temos aí, que não representa o sentimento da população, que não age de acordo com a ordem popular”, afirmou.
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Pivetta também questionou o sentimento de liberdade da população brasileira e relacionou o 7 de Setembro ao atual cenário político e institucional.
“Agora eu quero perguntar para vocês, nós nos sentimos livres no Brasil? A liberdade que nós vamos construir é com todo mundo junto”, declarou.
Críticas ao STF e ao Senado
Questionado sobre sua confiança no Supremo Tribunal Federal, Pivetta afirmou que acredita nas instituições e classificou o STF como um dos pilares da democracia. Na sequência, porém, destacou que o Senado possui competência para processar e julgar ministros da Corte em casos de crime de responsabilidade.
“Eu acredito nas instituições. O STF é um dos tripés da democracia. Lá dentro do STF tem juízes que podem ser retirados de lá. Isso só depende do Senado Federal”, afirmou.
A declaração ocorre em um momento de tensão entre o Senado e o Supremo. Nesta semana, senadores passaram a admitir como possível a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte, cenário que antes era considerado mais remoto.
“Vamos trocar os senadores”
Ao falar sobre as eleições deste ano, Pivetta defendeu que os eleitores substituam parlamentares que, segundo sua avaliação, não estejam correspondendo às expectativas da população.
“Então vamos trocar os senadores. Agora dá para botar dois”, afirmou.
Em 2026, Mato Grosso elegerá dois novos senadores, assim como os demais estados e o Distrito Federal. Ao todo, 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa neste ano. A lista de candidatos por Mato Grosso já foi divulgada com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Embate com Wellington
As declarações também ampliaram o confronto entre Pivetta e seu principal adversário na disputa pelo Governo de Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL).
Em outra declaração feita no mesmo contexto, Pivetta afirmou que Wellington “nunca cumpriu com a obrigação” como parlamentar e disse que o senador representa o atual modelo do Senado, que classificou como “covarde”.
Wellington, por sua vez, também vem adotando discurso crítico ao STF e voltou a defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes após os novos desdobramentos envolvendo o caso Banco Master.