Investigadores apuram se pagamentos a fornecedores foram suspensos para priorizar empresas de publicidade e facilitar possíveis desvios
Pagamentos milionários, movimentações bancárias suspeitas e uma possível preferência por empresas de publicidade estão entre os elementos investigados pela Polícia Federal na Operação Tomada de Contas, deflagrada nesta quinta-feira (29). A apuração aponta que recursos do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) podem ter sido administrados de maneira irregular para beneficiar determinados fornecedores, enquanto outras empresas deixavam de receber por serviços contratados.
O caso ganhou novos desdobramentos após a identificação de saques que totalizam R$ 500 mil, atribuídos ao presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, e de movimentações financeiras de aproximadamente R$ 33 milhões, registradas no período de um ano por um dos investigados. A origem dos valores e sua eventual relação com desvios de recursos públicos estão sob análise da Polícia Federal.
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Sérgio Ricardo foi preso preventivamente durante a operação, que também resultou na prisão de outras cinco pessoas. As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Conforme as suspeitas levantadas pelos investigadores, a administração financeira do tribunal teria adotado critérios diferentes para liberar pagamentos a empresas contratadas. Enquanto fornecedores com contratos regulares enfrentavam interrupções nos repasses, empresas ligadas ao setor publicitário teriam recebido prioridade.
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que essa diferença de tratamento tenha permitido concentrar recursos em determinados contratos, criando condições para possíveis desvios de dinheiro público.
Os investigadores também procuram esclarecer se a retenção de pagamentos era utilizada para pressionar fornecedores e se houve participação de agentes públicos na definição das empresas beneficiadas.
A análise das transações bancárias constitui outra frente da investigação. Além dos valores milionários identificados, a PF examina depósitos e retiradas frequentes de dinheiro em espécie, inclusive operações realizadas nas dependências do próprio Tribunal de Contas.
A intenção é reconstruir o caminho dos recursos e verificar se as movimentações financeiras apresentam vínculos com os contratos administrativos investigados.
Durante as diligências, os policiais apreenderam documentos, dinheiro em espécie, relógios de alto valor e veículos de luxo. O material será analisado para identificar possíveis elementos relacionados às suspeitas.
A operação mobilizou mais de 180 policiais federais para cumprir seis mandados de prisão preventiva e 26 ordens de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
O STJ também autorizou medidas de acesso a dados protegidos por sigilo e bloqueio de bens, com o objetivo de reunir provas e preservar patrimônio que possa estar relacionado aos fatos investigados.
Procurada, a assessoria do TCE-MT informou que a instituição não se manifestará sobre o caso.
As investigações continuam para esclarecer a participação individual dos suspeitos e verificar se houve efetivamente desvio de recursos públicos. As prisões e demais medidas cautelares não representam condenação dos envolvidos.