A corrida pelo Governo de Mato Grosso entra em uma nova fase após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que atingiu o entorno político do ex-governador Mauro Mendes e provocou mudanças na composição da base governista. O episódio acrescenta um elemento de forte impacto à disputa eleitoral de 2026, justamente quando as alianças começam a ser consolidadas.
O dado ganha novo significado diante dos acontecimentos de agosto. A Operação Heritage foi deflagrada em 6 de agosto para investigar suspeitas relacionadas a um acordo envolvendo recursos públicos de Mato Grosso. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares e bloqueio de bens de investigados. Mauro Mendes e Fábio Gárcia aparecem entre os alvos da investigação, que apura possíveis crimes como peculato, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.
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Politicamente, o efeito mais imediato foi sobre a estrutura da sucessão estadual. O governador Otaviano Pivetta, candidato à continuidade do grupo no Palácio Paiaguás, precisou administrar a saída de Fábio Garcia da composição inicialmente projetada para a chapa. Apesar disso, Pivetta afirma que não houve rompimento na base e mantém Mauro Mendes como seu principal aliado na disputa ao Senado.
É justamente nesse ponto que a próxima pesquisa da Percent Brasil poderá ganhar importância estratégica. O instituto tem nova rodada prevista para divulgação em 17 de agosto, período em que o eleitorado já terá sido exposto aos efeitos políticos da Operação Heritage e às novas configurações das alianças. O levantamento deverá permitir uma comparação entre o cenário anterior e o ambiente eleitoral posterior à operação.
O novo contexto, entretanto, não significa que a eleição esteja definida. A política mato-grossense continua marcada pela fragmentação das forças de centro-direita e direita, enquanto Pivetta tenta preservar a imagem de continuidade administrativa e Wellington busca ampliar sua vantagem.
Heritage muda o eixo da disputa
A principal mudança provocada pela Operação Heritage está menos nos números já publicados e mais no ambiente político em que os próximos números serão produzidos.
Até então, a eleição poderia ser apresentada principalmente como uma disputa entre projetos políticos e diferentes grupos da direita mato-grossense. Agora, a investigação envolvendo figuras próximas ao núcleo de poder do Estado acrescenta ao debate eleitoral questões relacionadas à gestão pública, transparência, responsabilidade política e desgaste da imagem do governo.
O próprio ex-governador Mauro Mendes, que aparece como alvo da operação e vinha sendo apontado como favorito na corrida ao Senado em levantamentos anteriores, passa a enfrentar uma situação eleitoral mais complexa. Isso pode obrigar aliados a recalcular estratégias, discursos e alianças. A operação atingiu sua campanha ao Senado justamente no início da disputa eleitoral.
Para Pivetta, o desafio será separar sua candidatura da crise sem romper politicamente com Mendes. Para Wellington, a oportunidade é transformar a liderança nas pesquisas em crescimento efetivo, apresentando-se como alternativa ao grupo que comandou o Estado nos últimos anos.
A pesquisa de 17 de agosto será decisiva para medir o impacto
O próximo levantamento da Percent Brasil poderá funcionar como uma espécie de primeiro termômetro eleitoral após a Heritage.
Mais do que saber quem está na frente, a questão será observar quem ganhou ou perdeu espaço, quais candidatos aumentaram a rejeição e se houve alteração na distância entre Wellington, Pivetta e Natasha.
A eleição de 2026, portanto, começa a ser disputada em um ambiente diferente daquele registrado pelas pesquisas de abril e julho. A Operação Heritage não determina o resultado das urnas, mas modificou o ambiente político e introduziu uma variável que os candidatos terão de administrar.
O dado mais importante, neste momento, é que a liderança de Wellington Fagundes já existia antes da operação. O que ainda precisa ser medido é se a crise envolvendo o grupo de Mauro Mendes será capaz de transformar essa liderança em uma vantagem eleitoral mais consistente. É essa resposta que a próxima pesquisa da Percent Brasil poderá revelar.