Moradores da região do Fiotão denunciam uma semana de desabastecimento e cobram respostas; problema que antes parecia restrito aos bairros mais afastados agora atinge áreas centrais e expõe a dimensão da crise hídrica no município
A crise no abastecimento de água em Várzea Grande parece ter perdido qualquer limite geográfico. Se antes a torneira seca era uma realidade mais frequente nos bairros afastados, agora o problema chegou à região central do município e já atinge moradores e comerciantes nas proximidades do Ginásio Fiotão. O resultado é um cenário que se aproxima cada vez mais do caos: ruas inteiras sem água, famílias enfrentando dificuldades para realizar atividades básicas e comerciantes prejudicados pela falta de um serviço essencial.
Moradores afirmam que o problema se arrasta há cerca de uma semana e que a situação já foi comunicada à Prefeitura de Várzea Grande e ao Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG). Até o momento, segundo os relatos, não houve uma solução capaz de normalizar o fornecimento.
“Está bem complicado, está a rua toda e o bairro sem água”, relatou uma moradora, ao descrever a situação enfrentada pela comunidade.
A indignação aumenta diante da dificuldade para conseguir informações concretas sobre quando o abastecimento será normalizado. Segundo uma moradora, a comunidade já tentou buscar respostas junto aos responsáveis pelo serviço, mas segue sem uma previsão clara para o retorno da água.
“A gente liga, procura informação, mas ninguém consegue dizer quando a água vai voltar. Já estamos há dias nessa situação e não sabemos mais a quem recorrer. É um descaso com quem paga a conta e precisa de água para viver”, desabafou.
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O relato resume a sensação de abandono de quem precisa de água para as necessidades mais básicas do dia a dia. Sem abastecimento regular, tarefas como cozinhar, lavar louça, tomar banho e manter a higiene doméstica passam a depender da disponibilidade de água armazenada, quando existe.
Para os comerciantes, o problema também pesa no bolso. Estabelecimentos que dependem diretamente do abastecimento para manter suas atividades precisam improvisar diante da falta d'água, enquanto consumidores enfrentam dificuldades para realizar suas rotinas normalmente.
Crise que não escolhe mais bairro
A situação chama atenção porque representa uma mudança preocupante no alcance da crise. Durante muito tempo, as reclamações sobre falta d'água em Várzea Grande eram associadas principalmente a regiões mais afastadas. Agora, a torneira seca também aparece no centro, mostrando que o problema deixou de ser uma dificuldade localizada e passou a afetar diferentes áreas do município.
Em outras palavras, não é mais uma questão de saber qual bairro está sem água. A pergunta passou a ser: qual será o próximo?
O próprio DAE-VG mantém um sistema de acompanhamento do abastecimento que permite consultar a situação do fornecimento por região. A plataforma oficial registra categorias como ocorrências, abastecimento programado e previsão, evidenciando que o município convive com uma rotina de intervenções e instabilidades no sistema.
Em junho, por exemplo, o DAE-VG comunicou um rompimento na tubulação da Captação 5 da ETA Imigrantes, informando que o problema poderia comprometer o abastecimento em diversas regiões e que caminhões-pipa seriam mobilizados para atender os locais afetados.
A autarquia também vem anunciando medidas de modernização e recuperação da estrutura. Em julho, informou a revitalização da ETA Velha e destacou ações voltadas à reorganização do sistema.
Promessa de reestruturação: "Aliança pela Água"
Em 23 de julho, o DAE-VG destacou a assinatura do TAC “Aliança pela Água”, firmado entre o Governo de Mato Grosso, a Prefeitura de Várzea Grande, o Ministério Público Estadual e o Tribunal de Contas do Estado. Segundo a autarquia, o acordo prevê um plano emergencial de investimentos e ações para recuperar a capacidade operacional do departamento e melhorar o abastecimento de água no município.
O anúncio, porém, ocorre justamente em um momento em que moradores continuam relatando problemas no fornecimento. Para quem está há dias esperando água, investimentos e planos futuros são importantes, mas a necessidade é imediata: a população precisa abrir a torneira e encontrar água hoje.
Afinal, se o abastecimento já não consegue atender de forma regular nem mesmo regiões centrais, a crise deixa de ser apenas uma reclamação pontual de moradores e passa a representar um problema estrutural que exige respostas rápidas e transparentes.
A população quer saber por que fica sem água, quando o serviço será normalizado e quais medidas serão tomadas para impedir que a situação volte a acontecer.
Enquanto isso, famílias e comerciantes seguem contando os dias, e, principalmente, "contando as gotas". Em Várzea Grande, a água, que deveria ser um direito básico, começa a ganhar status de artigo de luxo.
A equipe de reportagem do FTN Brasil procurou o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG) e a Prefeitura para esclarecer a situação específica dos moradores e comerciantes da região do Fiotão, saber o motivo da interrupção do abastecimento e questionar qual é a previsão para a normalização do serviço.
O espaço permanece aberto para manifestação e será atualizado caso os órgãos responsáveis apresentem esclarecimentos.