A vereadora diz estar decepcionada com Abilio Brunini e critica articulações para manter Paula Calil na presidência da Câmara
A vereadora Michelly Alencar (União Brasil) anunciou na última quinta-feira (16) que não faz mais parte da base de sustentação do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). Ao confirmar o rompimento político, a parlamentar afirmou que passará a atuar de forma independente na Câmara Municipal e atribuiu sua decisão à condução adotada pelo chefe do Executivo nas articulações para a eleição da próxima Mesa Diretora.
Michelly afirmou que a postura do prefeito lhe causou frustração. Segundo ela, Abilio, que durante a trajetória política criticava esse tipo de articulação, agora estaria reproduzindo a mesma prática.
"Não estou brava, estou decepcionada. É um jogo político muito baixo, do qual eu nunca me permiti fazer parte. A decepção é ver um prefeito que sempre foi contra esse jogo fazendo ele", declarou.
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De acordo com a vereadora, sua saída da base ocorreu após manter apoio ao vereador Ilde Taques na disputa pela presidência da Câmara. Ela afirmou que a escolha foi motivada por posicionamento pessoal e não por conveniência política.
"Eu me declaro independente para ir para o caminho que eu quiser. Eu estava na base do prefeito por convicção de acreditar que poderíamos construir algo em comum para Cuiabá. Hoje temos objetivos diferentes", afirmou.
A parlamentar também criticou as movimentações do prefeito para viabilizar a permanência da presidente da Câmara, Paula Calil (PL), no comando do Legislativo.
Para ela, a possibilidade de uma nova candidatura sequer existe neste momento, já que a legislação interna da Casa não permite a recondução durante a mesma legislatura.
"A Paula não é candidata. A gente está falando de uma candidatura que não é real. Ela não pode disputar se não mudar o Regimento Interno", disse.
Na avaliação da vereadora, a própria presidente não demonstrava interesse em buscar um novo mandato, atribuindo ao prefeito a iniciativa de mantê-la na presidência.
"Ela não queria. Quem quer é o prefeito, não é ela", acrescentou.
Ao comentar a atuação da Prefeitura, Michelly afirmou que o foco da administração municipal passou a ser a disputa pelo comando da Câmara, em vez da condução da gestão da Capital.
"Hoje o meu objetivo é entregar o meu melhor para Cuiabá. O objetivo do prefeito é fazer a eleição da Mesa", criticou.
Segundo a parlamentar, as tentativas de interferência do Executivo no processo eleitoral interno acabaram provocando desgaste entre os Poderes. Ela defendeu que Câmara e Prefeitura mantenham uma relação harmoniosa, mas com independência institucional.
"A gente está falando da presidência desta Casa, não da escolha de um secretário.
Poderes devem caminhar em harmonia, mas jamais um poder deve se sujeitar ao outro", afirmou.
Por fim, Michelly voltou a dizer que a eleição da Mesa Diretora passou a ocupar o centro das atenções da administração municipal. Ela também mencionou as medidas judiciais e as articulações políticas envolvendo o tema, sustentando que as prioridades da gestão foram alteradas.
"Hoje vocês percebem a quantidade de investidas judiciais, de movimentações. A prioridade deixou de ser realmente nossa capital. Ela agora é fazer a presidente desta Casa", concluiu.