Segundo a investigação, ao menos quatro crianças teriam sido vítimas do esquema criminoso
A Justiça de Mato Grosso autorizou que o empresário Fábio Serafim de Oliveira, de 42 anos, responda em liberdade ao procedimento que apura a posse irregular de armas de fogo. Apesar da decisão favorável, ele continuará preso porque também é investigado em outro procedimento que apura uma série de crimes contra crianças, incluindo estupro de vulnerável e produção de material de exploração sexual infantojuvenil.
A decisão foi proferida pela juíza Laura Dorilêo Cândido, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias, polo de Sinop. Ao analisar o auto de prisão em flagrante relacionado às armas apreendidas durante a Operação Puer Defensus, a magistrada arbitrou fiança e determinou a expedição de alvará de soltura exclusivamente para esse procedimento.
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Na prática, porém, a medida não modifica a situação do investigado, que permanece recolhido por causa da prisão decretada no inquérito conduzido pela Polícia Civil, responsável por investigar uma suposta rede de exploração sexual de crianças em Sorriso.
As apurações começaram quando uma familiar percebeu uma criança reproduzindo um comportamento de natureza sexual considerado incompatível com sua idade. Ao ser questionada, a vítima relatou que havia presenciado situações envolvendo uma cuidadora e um homem, circunstância que motivou a comunicação do caso à Polícia Civil.
Com a instauração do inquérito, os investigadores identificaram como principal suspeita a babá Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, que está presa desde junho.
Segundo a Polícia Civil, durante os interrogatórios e a análise do telefone celular da jovem surgiram elementos que apontaram para o envolvimento do empresário.
Conforme a investigação, os dois se conheceram quando Tafnes prestava serviços para Fábio. Depois disso, mantiveram contato e passaram a negociar fotografias e vídeos íntimos da própria investigada. No decorrer da relação, segundo a polícia, o empresário passou a solicitar registros envolvendo crianças que estavam sob responsabilidade da cuidadora.
As investigações indicam que pelo menos quatro crianças podem ter sido vítimas dos crimes investigados.
Entre elas estão o filho da babá, que tinha um ano e oito meses na época dos fatos, além de outras crianças, com idades entre quatro e oito anos, que frequentavam a residência da investigada ou permaneciam sob seus cuidados.
A Polícia Civil apura se os episódios ocorreram entre agosto de 2025 e março deste ano.
Os investigadores também sustentam que o empresário utilizava doces e pequenas quantias em dinheiro para conquistar a confiança das crianças antes dos supostos abusos. A babá, conforme a apuração, teria participação direta nas práticas criminosas.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, equipes da Polícia Civil apreenderam armas de fogo, munições e diversos dispositivos eletrônicos na residência do empresário.
Entre os materiais recolhidos estão computadores, telefones celulares, mídias de armazenamento, equipamentos de gravação do circuito interno de segurança e fitas VHS, que serão submetidos à perícia técnica.
Foi justamente a existência das armas sem a documentação exigida que originou o flagrante por posse irregular. Embora esse procedimento tenha resultado na concessão de liberdade provisória, a decisão não interfere na prisão relacionada aos crimes investigados contra crianças.
Segundo a Polícia Civil, parte dos arquivos armazenados nos celulares dos investigados havia sido apagada antes da operação. Mesmo assim, os peritos conseguiram recuperar parte do conteúdo do aparelho utilizado pela babá, enquanto os equipamentos apreendidos com o empresário ainda passarão por exames periciais.
Ao final das investigações, Fábio Serafim de Oliveira e Tafnes Cavalheiro de Souza poderão responder por diversos crimes, entre eles estupro de vulnerável, produção, armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil, além de outros delitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código Penal.
A esposa do empresário também foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação, mas não houve pedido de prisão contra ela.
Até o momento, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre as acusações.