O ex-governador citou Janaina Riva, Pedro Taques, Carlos Fávaro e Jayme Campos ao defender que a operação teria motivação política
O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), se manifestou na noite de ontem (6), por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, após ser um dos alvos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal. Na gravação, ele afirmou que é vítima de uma articulação política para prejudicar sua candidatura ao Senado. A investigação apura um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões relacionado a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
Durante o pronunciamento, Mendes sustentou que a investigação teria sido impulsionada por adversários políticos e acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de utilizar órgãos de investigação para perseguir opositores. Segundo ele, a operação faz parte de uma estratégia para desgastar sua imagem às vésperas das eleições, em situação que comparou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"O PT é especialista em perseguir adversários e assassinar reputações, igualzinho eles fizeram com Bolsonaro ou qualquer um que ameace os projetos deles", declarou.
Ao longo do vídeo, o ex-governador citou nominalmente a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o ex-governador Pedro Taques, o senador Carlos Fávaro (PSD) e o senador Jayme Campos (União Brasil), afirmando que o grupo teria atuado para provocar o avanço da investigação.
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Segundo Mauro Mendes, Janaina Riva e Pedro Taques apresentaram, há mais de um ano, uma denúncia baseada em "mentiras e inverdades". Ele também afirmou que o relatório elaborado pela Polícia Federal seria um "verdadeiro copia e cola" da representação protocolada por Taques.
O candidato ao Senado declarou ainda que seus adversários já comentavam nos bastidores da política e junto à imprensa sobre a deflagração da operação antes mesmo do cumprimento dos mandados. Na avaliação dele, houve pressões em Brasília para impulsionar a investigação.
Mauro também associou a operação ao atual cenário político de Mato Grosso. Conforme afirmou, a ação foi realizada poucos dias depois de o senador Jayme Campos ter a pré-candidatura ao Governo barrada na convenção do União Brasil, de Pedro Taques ter sido homologado como candidato ao Senado pelo grupo aliado ao PT e de Janaina Riva não ter sido escolhida para compor, como candidata a vice-governadora, a chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos).
Na avaliação do ex-governador, o momento em que a operação foi desencadeada, a cerca de 60 dias das eleições, reforça a tese de que haveria motivação política para desgastar sua candidatura.
"Logo após o nosso grupo ter rejeitado todo esse povo da velha política, que há décadas vem fazendo mal para o nosso Estado, temos uma operação como essa faltando exatamente 60 dias para as eleições. Isso é brincar com a inteligência do povo mato-grossense", afirmou.
O ex-governador também questionou o fato de o inquérito tramitar sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, enquanto sua defesa ainda não havia obtido acesso aos autos, informações sobre a investigação já estariam circulando entre adversários políticos e veículos de imprensa.
Apesar das críticas à condução do caso, Mauro Mendes afirmou que irá colaborar com as investigações e disse não temer o resultado das apurações.
"Pode investigar à vontade. Eu não tenho nada a temer. Já vivi essa experiência antes e tenho certeza de que tudo será esclarecido. Não vai ser uma armação eleitoreira que vai parar o nosso projeto de trabalhar pelos mato-grossenses e pelos brasileiros", concluiu.