Parlamentar não poupou ataques ao prefeito, afirma que ele sempre foi sustentado pela família e acusa o gestor de receber um bom salário sem trabalhar pela capital
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) disparou uma série de críticas contra o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), durante entrevista à imprensa. O parlamentar acusou o gestor de negligenciar os problemas da capital, afirmou que ele estaria mais preocupado em atacar adversários políticos do que em administrar o município e o chamou de "filhinho de papai" e "arruaceiro". As declarações ocorreram em meio a uma troca de provocações entre os dois políticos.
Lúdio reagiu às críticas de Abilio sobre sua trajetória profissional e devolveu o questionamento feito pelo prefeito a respeito da carteira de trabalho do deputado. Antes, porém, cobrou uma mudança de postura do chefe do Executivo municipal.
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"O Abilio precisa governar Cuiabá. Ele é prefeito de Cuiabá. Ele precisa sair da postura de vereador, de deputado federal que ele continuou depois das eleições de 2024", afirmou.
Vídeo: Danilo Figueiredo / Edição: Luana Ogiwara
Na avaliação do petista, a administração municipal não tem conseguido responder às necessidades da população. Para sustentar a crítica, ele citou problemas de infraestrutura urbana, limpeza pública e atendimento na rede de saúde.
"Cuiabá está abandonada. Cuiabá está mal cuidada, mal administrada, não tem um prefeito de verdade. É buraco, é mato, é lixo, é sofrimento na saúde, é descaso em todas as áreas que são de responsabilidade da atuação da prefeitura", declarou.
O deputado também acusou Abilio de manter uma disputa política permanente com o PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ele próprio, em vez de concentrar esforços na gestão da cidade.
"Ele tem que sair dessa paranoia dele, dessa fixação que ele tem com o Partido dos Trabalhadores, com o presidente Lula e com o Lúdio. Porque agora é isso: PT, Lula, Lúdio, Lúdio, Lula, PT, PT. Ele dorme e acorda sonhando com a gente", ironizou.
Lúdio insistiu que o prefeito deveria priorizar as demandas municipais e afirmou que, em sua avaliação, o trabalho esperado pela população ainda não foi realizado.
"Ele precisa sair dessa paranoia dele e começar a governar a cidade", acrescentou.
O tom da entrevista ficou mais duro quando Lúdio foi questionado sobre declarações anteriores de Abilio, que teria colocado em dúvida sua experiência profissional e perguntado se ele estaria disposto a trabalhar com carteira assinada.
O deputado rebateu a provocação e passou a questionar a trajetória profissional do próprio prefeito.
"Primeiro, o Abilio tem carteira de trabalho? O Abilio já trabalhou alguma vez na vida? Ele é quem precisa responder isso", afirmou.
Vídeo: Danilo Figueiredo
Na sequência, Lúdio comparou o prefeito ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, e acusou ambos de dependerem da atividade política para obter remuneração.
"O primeiro trabalho deles foi, é, mamar na teta do Estado", declarou.
Para contrapor a crítica recebida, o parlamentar relatou que começou a trabalhar ainda na adolescência, quando tinha 14 anos.
"A minha carteira de trabalho foi assinada em 1985. Eu tinha 14 anos quando comecei a trabalhar com carteira assinada. Fui bancário dos 14 aos 18 anos, com a minha carteira de trabalho assinadinha", disse.
Lúdio elevou novamente o tom ao afirmar que Abilio teria sido sustentado pela família antes de ingressar na política.
"Ele é um filho de papai. Ele é um filhinho de papai que sempre foi sustentado por papai, foi arruaceiro a vida toda", atacou.
O deputado também fez alegações sobre a participação do avô de Abilio e de lideranças religiosas no início da carreira eleitoral do prefeito. Segundo a versão apresentada por Lúdio, um grupo de pastores teria ajudado a viabilizar a primeira eleição do adversário para a Câmara Municipal.
As afirmações sobre a vida familiar e a trajetória profissional de Abilio foram feitas pelo parlamentar durante a entrevista e não vieram acompanhadas de documentos que permitissem confirmá-las.
Ao encerrar a resposta, Lúdio voltou a desafiar o prefeito a apresentar seu histórico profissional e repetiu a acusação de que ele não estaria cumprindo adequadamente suas funções no Executivo.
"É prefeito de Cuiabá, tem um bom salário e não trabalha. Ele é quem tem que mostrar a carteira de trabalho dele", concluiu.