Além de autorizar a presença do público, a Justiça determinou que apenas a assessoria de imprensa do TJMT poderá registrar imagens do júri, observadas as restrições estabelecidas na decisão
O julgamento do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, foi adiado pela 1ª Vara Criminal de Cuiabá e deverá ocorrer no próximo dia 21 de julho. Inicialmente, a sessão do Tribunal do Júri estava prevista para esta terça-feira (7), mas foi remarcada após a defesa solicitar acesso a materiais produzidos durante a fase de investigação do processo.
Na mesma decisão, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira determinou o levantamento do sigilo da ação penal, acolhendo manifestação da 2ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital. Com isso, o julgamento será aberto ao público, seguindo o princípio constitucional da publicidade dos atos processuais. A medida atende a pedido apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), após diálogo com familiares das vítimas.
Carlinhos Bezerra responde pelo feminicídio da ex-companheira Thays Machado e pelo homicídio de Willian Cesar Moreno, namorado dela à época dos fatos. Os crimes ocorreram em janeiro de 2023, em Cuiabá. Filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), o empresário confessou os assassinatos e permanece preso.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o feminicídio foi motivado pela inconformidade do acusado com o término do relacionamento. A acusação sustenta que o crime foi praticado com extrema violência, em plena luz do dia, utilizando uma pistola semiautomática, em uma região de intensa circulação de pessoas, circunstâncias que demonstrariam elevado grau de crueldade.
O órgão também afirma que o caso ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero, apontando que o réu teria utilizado a condição de ex-companheiro para exercer controle sobre a vítima, configurando, segundo a denúncia, menosprezo à condição feminina de Thays Machado.
Em relação à morte de Willian Cesar Moreno, o MPMT denunciou Carlinhos Bezerra por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Conforme a acusação, a ação foi planejada e executada de forma a surpreender o casal, impedindo qualquer possibilidade de reação.
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Ao analisar o pedido de retirada do segredo de Justiça, a magistrada entendeu que não havia elementos concretos que justificassem a manutenção da restrição de acesso ao processo. Na decisão, ressaltou que a publicidade dos atos processuais é a regra e observou que o próprio Ministério Público manifestou-se favoravelmente à abertura da sessão após ouvir os familiares das vítimas.
Apesar da autorização para presença do público, a decisão estabelece limitações para a cobertura da imprensa. A captação oficial de imagens ficará restrita à assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), permanecendo proibida a identificação do réu e dos jurados por meio de fotografias ou gravações durante a sessão do júri.
Relembre o caso
O crime ocorreu nas proximidades do Edifício Residencial Monet, no bairro Consil, em Cuiabá. Thays Machado e Willian Cesar Moreno estavam em frente ao prédio quando foram surpreendidos pelos disparos efetuados por Carlinhos Bezerra. Segundo as investigações, o casal já havia recebido ameaças do empresário antes dos assassinatos.
Após o crime, o acusado foi localizado e preso em uma chácara da família. Durante depoimento à Polícia Civil, confessou os homicídios e alegou que enfrentava complicações decorrentes da diabetes, afirmando estar em um quadro de neuropatia que teria provocado desequilíbrio emocional no momento dos fatos.