SESSÃO SUSPENSA

Julgamento de acusados pela morte de Zampieri é interrompido após jurado passar mal

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Julgamento de acusados pela morte de Zampieri é interrompido após jurado passar mal
O juiz José Mauro Nagib Jorge - Foto: Josi Dias/TJMT

Magistrado decidiu encerrar o julgamento após equipe médica apontar quadro viral de um dos integrantes do Conselho de Sentença

O julgamento dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri foi interrompido nesta quarta-feira (29), em Cuiabá, após a dissolução do Conselho de Sentença. A decisão foi tomada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, depois que um dos jurados apresentou problemas de saúde e ficou impossibilitado de continuar participando da sessão.

Segundo o magistrado, o integrante do Conselho recebeu atendimento da equipe médica do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A avaliação clínica indicou um quadro viral e recomendou a realização de exames complementares, incluindo uma tomografia, além do afastamento imediato para evitar riscos tanto ao próprio jurado quanto aos demais participantes do julgamento.

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Momento em que o magistrado comunica que o julgamento estaria sendo suspenso

Ao anunciar a decisão em plenário, o juiz explicou que a medida também buscou preservar a saúde dos demais jurados, já que todos permaneceram em contato durante o primeiro dia de sessão.

"Diante dessa relevante questão e para preservar a saúde dos outros jurados que ele teve contato e que podem ser prejudicados pelo quadro viral, eu decido pela dissolução do Conselho", afirmou.

Com a dissolução do Conselho de Sentença, o julgamento foi encerrado antes da fase de interrogatórios dos réus e dos debates entre acusação e defesa. Uma nova data para a realização do júri será marcada posteriormente pelo Judiciário.

Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas respondem à acusação de participação no planejamento e na execução do homicídio de Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.

A sessão havia sido aberta na terça-feira (28), quando o Conselho de Sentença ouviu testemunhas indicadas pelo Ministério Público e pelas defesas. Entre elas estavam os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, além de José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.

Durante seu depoimento, o delegado Nilson Farias afirmou que as investigações apontam o dia 9 de outubro de 2023 como o momento em que teria começado o planejamento do assassinato. Segundo ele, naquela data Roberto Zampieri protocolou um pedido de produção de provas em uma ação envolvendo a disputa pela Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, propriedade avaliada em cerca de R$ 100 milhões.

O policial também informou aos jurados que a perícia realizada no celular apreendido com Caçadini identificou uma pesquisa na internet pelo endereço do escritório de Zampieri feita no mesmo dia, elemento que, segundo a investigação, reforça a linha do tempo da suposta organização do crime.

Outra testemunha ouvida foi José Marcos Marini, amigo da vítima. Ele relatou que estava próximo ao escritório quando ouviu os disparos e revelou que chegou a cogitar perseguir o autor dos tiros, mas desistiu para prestar socorro ao advogado.

Roberto Zampieri foi assassinado na noite de 5 de dezembro de 2023, logo após deixar seu escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. De acordo com a investigação, ele havia acabado de entrar em seu veículo quando foi surpreendido pelo atirador, que efetuou cerca de dez disparos antes de fugir a pé.

Imagens de câmeras de segurança registraram toda a ação. Os vídeos mostram o criminoso com o rosto descoberto utilizando uma caixa para tentar reduzir o estampido dos tiros durante a execução.

A morte do advogado também levou à descoberta de um suposto esquema de negociação de decisões judiciais envolvendo um lobista e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. As suspeitas surgiram durante a perícia no telefone celular de Zampieri. Apesar disso, as autoridades afirmam que as investigações sobre esse esquema são independentes da motivação do homicídio.