Natiele Aparecida é investigada como uma das figuras centrais de esquema que teria movimentado mais de R$ 28 milhões com apostas ilegais
A modelo e influenciadora digital Natiele Aparecida, de Sorriso, Mato Grosso, está entre os principais alvos da Operação Engodo Digital, deflagrada nesta terça-feira (18) pela Polícia Civil de Mato Grosso. A investigação apura um esquema envolvendo exploração de jogos de azar, captação ilegal de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.
Segundo a investigação conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, o grupo teria movimentado mais de R$ 28 milhões entre 2023 e 2025 por meio de plataformas de apostas que não possuíam autorização para operar.
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Natiele é apontada pelos investigadores como uma das peças centrais da estrutura. Conforme a Polícia Civil, ela utilizava duas contas nas redes sociais para divulgar plataformas de jogos de azar, incluindo o chamado “Jogo do Tigrinho”.
A influenciadora também manteria, junto com outra investigada, um grupo no WhatsApp utilizado para compartilhar links e orientações relacionadas às apostas de cotas fixas.
Um detalhe que ganhou destaque na investigação é que, na segunda-feira (17), apenas um dia antes da deflagração da operação, Natiele publicou nas redes sociais a divulgação de uma nova plataforma de jogos.

Na publicação, segundo as informações divulgadas sobre a investigação, havia uma promessa de que os usuários poderiam “triplicar” os ganhos.
A influenciadora, que possui mais de 115 mil seguidores, também teve contas em redes sociais atingidas pelas medidas determinadas pela Justiça.
Ainda de acordo com as investigações, os valores provenientes das plataformas de apostas entravam em contas de empresas relacionadas ao esquema e posteriormente eram redistribuídos para uma rede formada por familiares e colaboradores da influenciadora.
A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 21,4 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados, além de outras medidas judiciais.
Ao todo, a operação cumpre 56 ordens judiciais em Mato Grosso e São Paulo, incluindo mandados de busca e apreensão, bloqueios financeiros, sequestro de bens e medidas cautelares. Dez pessoas físicas e oito empresas são investigadas.
Investigação também apura conexão com operação da PF
A Polícia Civil de Mato Grosso também investiga uma possível conexão entre parte dos alvos da Engodo Digital e a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em abril deste ano.
Segundo as informações divulgadas, uma empresa apontada como núcleo financeiro de um esquema investigado pela PF também foi alvo de medidas em São Paulo durante a operação conduzida pela Draco de Sinop.
Apesar das suspeitas, Natiele é investigada e não há, até o momento, condenação judicial pelos fatos apurados na operação. As circunstâncias, a movimentação financeira e a eventual responsabilidade de cada investigado ainda serão analisadas no decorrer da investigação.