Os seis candidatos apresentam propostas que vão desde investimentos em logística e serviços públicos até revisão de incentivos fiscais e redução de despesas
Os candidatos ao Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026 já apresentaram à Justiça Eleitoral os planos de governo que deverão nortear as administrações caso sejam eleitos para comandar o Estado entre 2027 e 2030. Os documentos reúnem propostas para áreas como segurança pública, saúde, educação, agronegócio, infraestrutura, proteção às mulheres, gestão fiscal e desenvolvimento econômico.
Entre os candidatos que aparecem em destaque nas pesquisas eleitorais estão o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição, o senador Wellington Fagundes (PL) e a médica Natasha Slhessarenko (PSD). Também registraram propostas para a disputa Rafaell Milas (Missão), Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho (Mobiliza).
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Pivetta concentra parte de seu programa na criação e ampliação de políticas voltadas à proteção das mulheres. Entre as medidas previstas estão uma delegacia virtual com atendimento 24 horas, expansão da Patrulha Maria da Penha, novas unidades físicas de acolhimento, suporte financeiro e capacitação de profissionais que atuam no atendimento às vítimas.
No setor produtivo, o plano do candidato prevê a ampliação de cursos profissionalizantes para formar trabalhadores destinados às demandas do agronegócio. Também são citadas linhas de crédito para pequenos produtores e investimentos em tecnologia aplicada à produção rural.
Na educação, Pivetta propõe ampliar bolsas de estudo e oficinas e prevê mecanismos de valorização dos professores, incluindo a possibilidade de pagamento de 14º e 15º salários, conforme critérios a serem definidos. O candidato também incluiu no programa uma iniciativa de conscientização de jovens sobre os impactos das apostas online e afirma que pretende discutir, junto à bancada federal de Mato Grosso, medidas relacionadas às chamadas bets.
Wellington Fagundes, por sua vez, propõe a criação de uma Secretaria da Mulher para concentrar políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra o público feminino. A estrutura, segundo o plano, teria entre suas atribuições a articulação de ações diante dos índices de feminicídio e de violência doméstica registrados no Estado.
Na educação, o candidato estabelece como prioridade a alfabetização na idade adequada e a melhoria da qualidade do ensino, além de ações de valorização dos profissionais da rede pública.
Para o agronegócio, Fagundes propõe acelerar a análise e a regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), ampliar investimentos em rodovias utilizadas no transporte da produção e estimular modelos de produção sustentável no Pantanal. O plano também prevê mecanismos de financiamento para o setor produtivo.
Natasha Slhessarenko é a única mulher entre os três nomes citados inicialmente e também inclui a criação de uma Secretaria da Mulher entre suas principais propostas. A estrutura teria orçamento próprio e seria responsável pela coordenação de uma rede de proteção com delegacias especializadas, casas de apoio e atendimento permanente.
Na área econômica, a candidata defende linhas de crédito para produtores de diferentes portes e aposta na industrialização como estratégia para agregar valor à produção de Mato Grosso. A proposta também contempla a diversificação das atividades ligadas ao agronegócio.
Na educação, Natasha estabelece o combate ao analfabetismo como uma das prioridades e defende medidas de valorização dos professores, incluindo melhorias salariais e realização de concursos públicos para reduzir a falta de profissionais na rede estadual.
Fora do grupo dos candidatos que aparecem com maior destaque nas pesquisas mencionadas, Rafaell Milas, do Missão, estruturou seu programa em torno de medidas relacionadas à logística, controle de gastos e modernização administrativa.
Um dos principais eixos do plano é denominado “Revolução Logística”. Entre as propostas estão o apoio institucional ao licenciamento da Ferrogrão, a expansão da malha ferroviária estadual e a concessão de rodovias consideradas estratégicas, como as MTs-242, 320 e 130. O candidato também prevê a exigência de cobertura de internet 4G ou 5G em rodovias concedidas e o fortalecimento do transporte hidroviário.
Na segurança pública, Milas propõe a construção de um presídio estadual de segurança máxima, denominado no plano de “Inferno Pantaneiro”, com bloqueio de comunicação. O programa também prevê utilização de mão de obra prisional em obras públicas e emprego de drones e imagens de satélite no monitoramento da região de fronteira.
Na educação, aparecem propostas como ampliação das escolas cívico-militares, universalização do ensino técnico em parceria com o Sistema S e implantação do programa “Mato Grosso Tech”, voltado ao ensino de programação e robótica.
Na administração pública, Milas defende o chamado “Déficit Zero”, redução de 30% dos cargos comissionados, digitalização integral dos serviços governamentais e criação de uma fila única digital para procedimentos do SUS estadual.
O candidato Sargento Laudicério (Agir), que tem Alex Pucineli como vice, apresentou um plano dividido em 12 eixos estratégicos e resumido pelo lema “Mato Grosso: Proteção, Trabalho e Produção”.
A segurança pública aparece entre os principais pontos do programa, com previsão de concursos para recomposição dos efetivos das polícias Militar e Civil, Polícia Penal e Politec. O plano também prevê ações contra o crime organizado na região de fronteira, combate ao crime rural e medidas de atenção à saúde física e mental dos profissionais da segurança.
Para o funcionalismo público, Laudicério propõe uma mesa permanente de negociação com o objetivo de discutir a recomposição de perdas salariais e estabelece como referência uma RGA de 18,38%, além de um calendário fixo para reposições nas carreiras estaduais.
Na saúde, o plano prevê descentralização e regionalização dos atendimentos, utilização de telessaúde e realização de mutirões de cirurgias. Também estão previstas ações específicas para famílias atípicas, pessoas com Transtorno do Espectro Autista e cuidadores.
No campo econômico, o candidato defende estímulos à agroindústria e à agricultura familiar, inclusive por meio de crédito e compras governamentais. O programa também propõe desburocratização para empreendedores, substituição de pontes de madeira e ampliação da conectividade no interior.
Já Maurício Coelho, do Mobiliza, concentra o programa em propostas de revisão fiscal e redução de custos para a população.
Entre as principais medidas apresentadas está a revisão de aproximadamente R$ 10 bilhões em incentivos fiscais concedidos a grandes empresas, com a proposta de redirecionar os recursos para medidas de desoneração. O candidato também defende a retirada do ICMS da energia elétrica, medida que, segundo o plano, poderia reduzir em 17% a conta de luz.
Outra proposta é a isenção de IPVA para veículos flex e a criação do “Cartão Trabalho”, benefício de R$ 200 mensais destinado a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, com utilização prevista no comércio local.
Para os servidores públicos, Coelho propõe o pagamento da RGA em parcela única e o fim do FETHAB 2. Também prevê a criação de um fundo para refinanciar e adquirir dívidas consignadas do funcionalismo, com a promessa de reduzir as parcelas em até 70%.
O programa ainda prevê a criação de um Fundo Soberano Mato-Grossense destinado ao financiamento de startups do Estado. A proposta estabelece que os lucros obtidos sejam direcionados a uma segunda aposentadoria para trabalhadores experientes.
Na saúde, o candidato incluiu programas como “Mato Grosso Sem Dor” e “Fila Zero”, com a meta de reduzir ou eliminar filas para cirurgias. Na educação, propõe mudanças no modelo pedagógico da rede básica, levando em consideração o ritmo individual de aprendizagem dos estudantes.
Os planos registrados pelos candidatos fazem parte dos documentos apresentados à Justiça Eleitoral para a disputa pelo Governo de Mato Grosso. As propostas completas podem ser consultadas no sistema oficial de divulgação de candidaturas e contas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral.