Senador questiona prorrogação da votação até as 19h e acusa STF de alterar regras durante o pleito
O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República, anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação das eleições. A declaração foi feita após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender o horário de votação até as 19h, em razão de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação.
Ao contestar o resultado, Flávio acusou o STF de interferir no processo eleitoral e afirmou que não reconhecerá o desfecho da disputa nas condições em que, segundo ele, ocorreu a votação. O parlamentar também alegou que representantes do PL responsáveis pela fiscalização foram retirados da sala-cofre após a determinação judicial.
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"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal. É inexplicável isso ter acontecido. As coisas acontecem do nada, a pedido de um ex-sócio, do próprio Zanin, e ele atende a um pedido e passar por cima da justiça eleitoral", declarou.
O senador sustentou ainda que existem circunstâncias que precisam ser esclarecidas antes do reconhecimento definitivo do resultado eleitoral. Em sua manifestação, voltou a questionar a atuação das autoridades responsáveis pelo pleito.
"E outra coisa, um detalhe que poucos sabem aqui: os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa decisão foi tomada. Então tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil, simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora nessas eleições. Eu não vou desistir do meu Brasil. Espero que você que tem me assistido também não desista", acrescentou.
A controvérsia começou após relatos de redução na circulação de ônibus e dificuldades de transporte de eleitores, especialmente nos estados de São Paulo e Bahia. Diante da situação, Zanin determinou a ampliação do período de votação até as 19h.
Posteriormente, o ministro esclareceu que a medida não autorizava a reabertura de seções eleitorais que já haviam encerrado suas atividades. A extensão do horário deveria alcançar exclusivamente os locais onde a votação ainda estava em andamento.
O entendimento foi reforçado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, que orientou os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) a manterem o funcionamento das seções ainda abertas até o novo horário estabelecido.
Os problemas relacionados ao transporte público também provocaram a atuação da Justiça Eleitoral na Bahia e em Sergipe, onde foram determinadas providências para garantir o deslocamento dos eleitores.
Em Salvador, o presidente do TRE da Bahia chegou a determinar a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, diante da suspeita de descumprimento de uma ordem judicial relacionada à oferta de transporte público.
Apesar do anúncio de Flávio Bolsonaro, a eventual anulação do pleito depende de análise judicial. As acusações apresentadas pelo senador, incluindo a suposta retirada de fiscais da sala-cofre, também precisam ser comprovadas.