QUARTO MANDATO

Lula é reeleito presidente do Brasil após disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro

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Lula é reeleito presidente do Brasil após disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro
O Presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução/ Ricardo Stuckert

Petista conquista novo mandato com 51.75% dos votos válidos; segundo turno foi marcado por polêmica envolvendo a prorrogação do horário de votação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu mais um mandato à frente do Palácio do Planalto neste domingo (25), após superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. O petista conquistou 51.75% dos votos válidos, contra 48.25% do adversário, em uma disputa marcada pela polarização política e por controvérsias envolvendo o encerramento da votação em diferentes regiões do país.

De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 62.066.282 votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 58.436.437. A vitória foi matematicamente confirmada após a totalização de 97,69% das seções eleitorais.

Com o resultado, Lula assegura a continuidade de seu governo por mais quatro anos, com mandato previsto até dezembro de 2030. O petista, que já havia comandado o país entre 2003 e 2010, iniciou seu terceiro mandato em janeiro de 2023, após derrotar Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.

A disputa deste ano colocou o presidente novamente diante de um integrante da família Bolsonaro. Desta vez, o adversário foi Flávio, filho mais velho do ex-presidente, que chegou ao segundo turno após liderar a primeira etapa da eleição, realizada em 4 de outubro.

Na ocasião, o senador obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois candidatos levou a disputa para uma nova votação, realizada três semanas depois.

Ao longo da campanha, os presidenciáveis protagonizaram uma série de embates sobre economia, segurança pública, corrupção e programas sociais. Flávio concentrou suas críticas na condução econômica do governo federal, no aumento do custo de vida e no avanço da criminalidade. Lula, por sua vez, defendeu as políticas implementadas durante sua gestão e apostou na continuidade dos programas sociais e das medidas de valorização da renda.

O último debate, realizado na sexta-feira (23), também foi marcado por trocas de acusações e questionamentos sobre o histórico político dos candidatos. Apesar dos confrontos, ambos aproveitaram o encontro para apresentar propostas e tentar conquistar o apoio dos eleitores indecisos.

Com a reeleição, Lula terá o desafio de conduzir um novo mandato em meio à divisão política do país, além de enfrentar questões relacionadas ao equilíbrio das contas públicas, à segurança e ao desenvolvimento econômico.

Prorrogação do horário de votação provoca polêmica

A definição do novo presidente ocorreu após um segundo turno marcado por uma decisão controversa do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a ampliação do horário de votação neste domingo.

Inicialmente, o encerramento estava previsto para as 17h, no horário de Brasília. Entretanto, problemas registrados em diferentes regiões do país, incluindo dificuldades no transporte público, fortes chuvas e interrupções no fornecimento de energia elétrica, motivaram pedidos para que os eleitores tivessem mais tempo para comparecer às urnas.

A campanha de Lula solicitou a prorrogação do período de votação, alegando que dificuldades de deslocamento poderiam comprometer o exercício do direito ao voto. A equipe de Flávio Bolsonaro também apresentou questionamentos relacionados aos transtornos enfrentados por eleitores.

O ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou a extensão do horário até as 19h. A decisão, contudo, foi tomada próximo ao encerramento inicialmente previsto, quando diversas seções eleitorais já haviam concluído suas atividades.

A medida provocou dúvidas sobre sua aplicação, especialmente porque algumas urnas já estavam fechadas, enquanto outras permaneciam em funcionamento.

Diante da situação, Zanin esclareceu posteriormente que a ampliação do horário deveria alcançar somente as seções eleitorais que ainda não haviam encerrado a votação. Dessa forma, as urnas já fechadas não seriam reabertas.

A situação também afetou a divulgação dos resultados. O Tribunal Superior Eleitoral chegou a iniciar a totalização dos votos, mas o procedimento foi interrompido em meio às definições sobre a continuidade da votação.

A decisão provocou questionamentos sobre a diferença de tratamento entre eleitores que tiveram a votação encerrada no horário original e aqueles que puderam votar durante o período adicional.

O episódio ampliou a tensão política na reta final da eleição e levantou discussões sobre os procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral. A controvérsia, no entanto, não representa, por si só, comprovação de irregularidade na contagem dos votos.

Após o encerramento da votação nas seções contempladas pela prorrogação, a Justiça Eleitoral deu continuidade à apuração, que definiu o resultado da disputa presidencial.