VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

"Feminicídio não começa na polícia", diz secretária ao fazer apelo por denúncias em MT

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"Feminicídio não começa na polícia", diz secretária ao fazer apelo por denúncias em MT
Foto: Tonico Pinheiro/Secom-MT

Susane Tamanho afirma que muitos agressores não tinham histórico criminal porque as vítimas não registraram boletins de ocorrência; estado soma 23 feminicídios em 2026

Ao defender que mulheres denunciem os agressores antes que a violência chegue ao extremo, a secretária de Estado de Segurança Pública de Mato Grosso, Susane Tamanho, afirmou que o feminicídio nasce de problemas sociais e familiares e só se torna um caso de Segurança Pública quando o crime acontece. A declaração foi dada nesta terça-feira (30), durante a entrega de viaturas da Patrulha Maria da Penha, em Cuiabá

Segundo a secretária, embora os casos acabem exigindo a atuação das forças policiais, a violência contra a mulher precisa ser enfrentada antes que chegue ao extremo.

"Hoje a gente fala que é um dos crimes que mais dói na gente. Porque ele não é um problema da Segurança Pública, mas se torna um problema de Segurança Pública quando a gente vê esses crimes acontecendo", afirmou.

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Susane explicou que, em muitos feminicídios registrados no estado, os autores possuíam poucos ou nenhum registro policial, justamente porque as vítimas deixavam de denunciar as agressões sofridas.

"Então o que a gente pede e espera é que essas mulheres realmente façam suas denúncias, registrem seus boletins de ocorrência, porque, se não houver esse registro, a gente não sabe qual é a capacidade que esse agressor tem. Muitas das vezes, quando a gente vai até um atendimento de feminicídio e puxa a ficha criminal desse agressor, a gente percebe que talvez nem tinha um ou dois registros muito pequenos. Ela acaba não denunciando", declarou.

A secretária destacou ainda que Mato Grosso conta com políticas públicas voltadas ao acolhimento de mulheres em situação de violência, incluindo ações de assistência social, moradia, geração de emprego e o fortalecimento da Patrulha Maria da Penha, que está sendo ampliada para mais municípios do estado.

Apesar das ações, os números continuam preocupantes. Dados do Observatório Caliandra, vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), apontam que o estado registrou 23 feminicídios entre janeiro e 29 de junho deste ano.

Somente em junho, cinco mulheres foram assassinadas em crimes motivados por questões de gênero. Entre as principais motivações identificadas estão o menosprezo à condição de mulher, o ciúme, a não aceitação do fim do relacionamento, discussões e conflitos financeiros.