CENAS DE TERROR

Enchentes na China espalham cerca de 900 cobras venenosas e animais de zoológico

· 4 min de leitura
Enchentes na China espalham cerca de 900 cobras venenosas e animais de zoológico
Tufão espalhas cobras venenosas no meio da rua - Foto: Reprodução /X

Equipes especializadas já capturaram milhares de serpentes, mas autoridades alertam que o risco à população permanece

As fortes enchentes provocadas pela passagem do tufão Maysak transformaram a cidade de Hengzhou, no sul da China, em um cenário de emergência. Além das dezenas de mortes causadas pelas inundações, centenas de cobras, muitas delas venenosas, escaparam de criadouros alagados, aumentando o risco para a população.

De acordo com a imprensa estatal chinesa, aproximadamente 900 serpentes fugiram após as águas invadirem fazendas de criação da região. O desastre já deixou ao menos 39 mortos.

Uma das vítimas foi uma mulher que morreu após ser atacada por uma cobra, possivelmente uma naja, que teria escapado de um dos criadouros atingidos pela enchente. Segundo veículos oficiais, outras pessoas também sofreram picadas durante o período.

Imagens registradas por moradores mostram serpentes atravessando ruas completamente alagadas, nadando com a cabeça para fora da água enquanto circulam por áreas urbanas.

Diante da situação, as autoridades passaram a reforçar os alertas para que moradores evitem contato com os animais. Equipes especializadas foram mobilizadas para capturar as cobras, hospitais reforçaram os estoques de soro antiofídico e unidades de saúde se prepararam para um possível aumento no número de atendimentos relacionados a picadas.

As enchentes também atingiram o Zoológico de Guigang, administrado pela iniciativa privada, provocando a fuga de diversos animais.

Entre os animais que escaparam estão duas zebras, um boi corcunda, três pôneis em miniatura, dois jumentos, além de avestruzes, emas e guaxinins. Em comunicado divulgado na quarta-feira, a administração do zoológico pediu que a população informe imediatamente o paradeiro dos animais e alertou que algumas espécies podem apresentar comportamento agressivo quando assustadas.

Ao jornal local Hongxing News, o proprietário do zoológico, Yin Feifei, afirmou que funcionários permaneceram nas instalações durante a enchente para impedir que animais predadores escapassem.

"Não podíamos permitir que predadores escapassem durante a enchente e criassem um risco adicional para a segurança pública", declarou.

Apesar dos esforços, três leões morreram afogados durante a inundação.

Outro reflexo das enchentes ocorreu na atividade agropecuária da região. Segundo o Shangyou News, mais de 16 mil porcos foram arrastados pelas águas. Máquinas pesadas precisaram ser utilizadas para retirar os animais, em cenas registradas por vídeos que circularam nas redes sociais.

Hengzhou está localizada na região autônoma de Guangxi, no sudeste da China, área conhecida nacionalmente pelo cultivo de jasmim utilizado na produção de chá.

Nos últimos anos, entretanto, a região também se consolidou como um dos principais polos chineses de criação de cobras.

Mais de 100 espécies já foram registradas em Guangxi, que faz fronteira com o Vietnã. Tradicionalmente, a carne de cobra é consumida pelos moradores e a captura desses animais faz parte da cultura local.

Levantamento divulgado em 2020 pelo jornal Guangxi Daily apontava que a região concentrava cerca de 20 milhões de cobras distribuídas em mais de 14 mil criadouros.

Hoje, grande parte da criação abastece os setores farmacêutico e biomédico. As espécies mais comuns são as cobras-rato, que não possuem veneno, e as najas, cuja picada pode ser fatal.

A situação mobilizou equipes especializadas de captura.

Ao jornal estatal Beijing News, um integrante do grupo de resgate identificado apenas como Zhu afirmou que sete ou oito profissionais trabalharam continuamente durante dois dias e capturaram entre duas mil e três mil cobras, número superior à estimativa inicial de animais que haviam escapado.

Segundo ele, a maioria das serpentes recolhidas era formada por cobras-rato.

"Capturamos entre duas e três mil em dois dias. Praticamente retiramos todas", afirmou.

Zhu explicou que, após enchentes, esses animais costumam procurar abrigo em locais escondidos, como cantos de residências. Sempre que moradores encontram alguma cobra, acionam a equipe responsável pela captura, que posteriormente encaminha os animais para devolução à natureza.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

Vídeos divulgados pela imprensa estatal mostram agentes perseguindo serpentes que nadavam pelas áreas alagadas enquanto outras pessoas aguardavam com redes para capturá-las. Em uma das gravações, um homem vestindo uma capa de chuva rosa tenta conter uma cobra antes que outro integrante consiga retirá-la da água.

0:00
/0:20

Enchente deixa mais de 900 cobras venenosas soltas em cidade - Vídeo: Reprodução / X

Moradores relataram ao Beijing News que não conseguiram socorrer a mulher atacada pela cobra porque as estradas permaneciam bloqueadas pelas enchentes, dificultando o acesso ao atendimento médico.

"Pedimos ajuda, mas era tarde demais", contou um morador.

Com a redução gradual do nível das águas, o governo local intensificou as orientações de segurança.

As recomendações incluem evitar atividades ao ar livre durante a noite, manter distância de áreas com vegetação densa e lagoas, locais onde as serpentes costumam buscar abrigo após enchentes.

Em comunicado divulgado pela agência estatal Xinhua, as autoridades ressaltaram que as cobras normalmente não atacam pessoas sem provocação.

"A maioria das cobras prefere ambientes úmidos e frescos e, em geral, não ataca seres humanos sem provocação", informou a agência.

A orientação também recomenda o uso de repelentes específicos para serpentes nas entradas das residências e, ao caminhar por áreas externas, utilizar um bastão para bater na vegetação antes de passar, reduzindo o risco de encontrar animais escondidos.

Segundo a Xinhua, hospitais da região possuem estoque suficiente de soro antiofídico para atender vítimas de picadas, desde que o tratamento seja iniciado rapidamente.

Mesmo com a diminuição das enchentes, ainda não há previsão de quanto tempo as serpentes continuarão representando risco para os moradores, nem se todas conseguirão ser capturadas pelas equipes de resgate.