Parlamentar afirma que nomes escolhidos para o governo precisam ouvir representantes que conhecem os problemas do interior
O deputado estadual Dr. João (MDB) cobrou mais diálogo do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) com os parlamentares da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na definição dos nomes que integrarão o primeiro escalão do governo. Durante entrevista à imprensa, o emedebista afirmou que Pivetta é reservado nas conversas políticas e chegou a compará-lo a um "dois de paus", por não revelar suas intenções quando questionado sobre possíveis indicações.
Segundo Dr. João, a escolha dos futuros secretários deve levar em consideração não apenas critérios técnicos, mas também a disposição dos indicados para ouvir os deputados e compreender as necessidades dos municípios.
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Ao ser questionado sobre eventuais conversas com o governador a respeito da composição da equipe, o parlamentar afirmou que ainda não houve uma discussão aprofundada.
"O Pivetta é o seguinte: você começa a especular com ele, começa a falar com ele, ele parece um dois de paus, ele fica olhando para você assim. Ele não fala nada", declarou.
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O deputado relatou que chegou a conversar rapidamente com o chefe do Executivo, mas não conseguiu obter indicações sobre os nomes que poderão ocupar cargos na administração estadual.
"Você dá a ideia, e aí, o que você está pensando? Ele olha, entendeu? Mas eu só tive uma conversa rápida com ele", acrescentou.
Apesar do comentário bem-humorado sobre a postura do governador, Dr. João reforçou que sua principal preocupação está na relação entre os secretários estaduais e os representantes do Legislativo.
"Tem que ter nomes que escutem a gente", defendeu.
Para justificar a cobrança, o emedebista destacou a atuação das comissões permanentes da Assembleia e afirmou que os deputados possuem conhecimento direto das dificuldades enfrentadas pela população no interior.
"Nós temos uma comissão de saúde aqui maravilhosa, como outras comissões que têm aqui, de infraestrutura, de tudo. Escute a gente, porque nós que andamos no Estado todo", afirmou.
Dr. João citou a própria experiência de visitas aos municípios para argumentar que a participação dos parlamentares pode contribuir para decisões mais próximas da realidade regional.
"Dos 142 municípios, eu acho que fui em 135. Então a gente sabe dos problemas", declarou.
Na área da saúde, o deputado defendeu a presença de profissionais do interior em cargos de direção da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). Segundo ele, a experiência de gestores municipais pode ajudar a identificar prioridades e melhorar a execução das políticas públicas.
Como exemplo, mencionou um gestor da saúde de Sinop, que, de acordo com o parlamentar, possui experiência administrativa e conhecimento das demandas regionais. Também citou o deputado Paulo Araújo como profissional com trajetória na área.
Dr. João argumentou que Mato Grosso dispõe de pessoas qualificadas para integrar a estrutura do governo e que a escolha dos secretários e adjuntos deveria considerar a capacidade de diálogo com diferentes regiões.
Ao final, o parlamentar fez uma crítica à condução administrativa dos últimos oito anos, período em que, segundo ele, prevaleceu uma postura de pouca abertura a opiniões divergentes.
"O que eu peço é que escute, escute a gente. Não faça o que fez nesses últimos oito anos: 'Eu sou o dono da verdade, só eu que sei, mais ninguém'. Isso é ruim", afirmou.
A declaração foi feita em referência ao modelo de gestão anterior, sem que o deputado apontasse, no trecho da entrevista, episódios específicos que exemplificassem a crítica.
Dr. João também foi questionado sobre o futuro do MDB após as eleições, mas a resposta a esse assunto não consta no trecho disponibilizado.