SUPOSTOS EPISÓDIOS

Direção do colégio Salesiano São Gonçalo são investigados por assédio e intolerância religiosa

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Direção do colégio Salesiano São Gonçalo são investigados por assédio e intolerância religiosa
Na primeira imagem o padre Marcelo Fujimura e na segunda o vice-diretor, padre Danilo Guedes - Foto: Reprodução/Montagem

Além das denúncias, o Ministério Público do Trabalho também verifica possível descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta firmado em 2008

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) instaurou um procedimento para apurar denúncias de supostos episódios de assédio moral e intolerância religiosa no Colégio Salesiano São Gonçalo, em Cuiabá. As acusações recaem sobre integrantes da direção da instituição e tiveram origem em uma representação apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Ensino de Mato Grosso (Sintrae-MT).

Conforme revelado pelo MidiaNews na semana passada, os denunciados são o diretor-geral da escola, padre Marcelo Fujimura, o vice-diretor, padre Danilo Guedes, e a coordenadora pedagógica, Michela Falcão. Segundo o sindicato, professores e funcionários administrativos relataram uma série de situações que teriam comprometido o ambiente de trabalho desde o início da atual gestão.

De acordo com informações publicadas pelo portal G1, a representação foi protocolada no MPT antes mesmo de as denúncias se tornarem públicas. Após receber o documento, o órgão marcou uma audiência para ouvir representantes da entidade sindical e notificou o colégio para que apresente esclarecimentos.

Na denúncia, o Sintrae-MT afirma que, ao longo dos últimos sete meses, o clima organizacional da escola teria se deteriorado, sendo marcado por perseguições, autoritarismo, insegurança entre os trabalhadores e episódios de intolerância religiosa.

Entre as condutas descritas estão cobranças administrativas fora da jornada de trabalho, tratamento considerado desrespeitoso com professores e servidores, entrada de gestores em salas de aula sem comunicação prévia, elaboração de relatórios considerados depreciativos sobre docentes, além de abordagens a estudantes para colher avaliações negativas de professores e constrangimentos durante as aulas.

O Ministério Público do Trabalho também investiga se houve descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre a instituição e o órgão em 2008. O acordo estabelece, entre outras obrigações, a adoção de medidas para prevenir e combater práticas de assédio moral no ambiente de trabalho.

Enquanto as investigações seguem em andamento, uma pessoa próxima à direção da escola saiu em defesa do padre Marcelo Fujimura. Uma delas afirmou que ele já enfrentou situação semelhante quando esteve anteriormente à frente do Colégio Salesiano São Gonçalo.

"Fico tranquila, porque dá outra vez em que assumiu o São Gonçalo muitos também entraram com processos. Havia pais que não aceitavam o rigor adotado por ele", declarou.

A mesma pessoa acrescentou que a realidade enfrentada pela escola é complexa e envolve desafios relacionados ao comportamento dos estudantes.

"Existem muitos problemas com adolescentes e com o uso de drogas na escola. Tenho certeza de que ele busca o melhor para a instituição", afirmou.

Até o momento, as acusações ainda são objeto de apuração e não há conclusão por parte do Ministério Público do Trabalho sobre a procedência das denúncias.

Na carta aberta divulgada pelo Sintrae-MT, a entidade afirma que as práticas atribuídas à atual gestão provocaram adoecimento emocional de trabalhadores, desmotivação da equipe e perda da confiança no ambiente escolar. O documento também questiona o modelo administrativo adotado pela instituição, sustentando que a lógica de gestão estaria priorizando aspectos comerciais em detrimento dos princípios educacionais.