O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil sem comunicar seus planos de viagem aos policiais legislativos do Senado responsáveis por sua segurança pessoal. Segundo informações divulgadas pela Jovem Pan e pela Folha de S.Paulo, os agentes, que acompanhavam o parlamentar havia cerca de oito anos, não conseguiram contato com ele na terça-feira (27), quando tentaram obter sua agenda. Naquela noite, ele atravessou a fronteira com a Argentina antes de embarcar para os Estados Unidos, apesar de uma determinação judicial que o proibia de deixar o país.
Sem receber a programação do senador, os policiais se apresentaram normalmente ao trabalho na terça-feira e tentaram descobrir quais seriam seus compromissos. De acordo com a Folha de S.Paulo, a equipe costuma receber essas informações antecipadamente para organizar os deslocamentos e definir os horários de acompanhamento do parlamentar.
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O último contato presencial ocorreu na noite de segunda-feira (26), quando os agentes deixaram Flávio em sua residência, no Residencial Ouro Branco, em Brasília. Em seguida, encerraram o expediente, conforme o procedimento habitual para parlamentares que vivem em imóveis particulares sem estrutura para acomodar equipes de segurança durante a madrugada.
Na manhã seguinte, as tentativas de contato não tiveram resposta. Pessoas próximas ao esquema de segurança relataram à Jovem Pan que a saída do país surpreendeu até os profissionais que acompanhavam a rotina do senador havia quase uma década.
Durante a campanha presidencial de 2026, Flávio havia dispensado a escolta da Polícia Federal, serviço ao qual teria direito como candidato à Presidência da República. O parlamentar preferiu manter a proteção dos policiais legislativos do Senado, responsáveis por sua segurança desde 2019.
Com isso, seus deslocamentos continuaram sob responsabilidade da equipe do Congresso Nacional. Os agentes, entretanto, não receberam qualquer aviso prévio sobre a viagem internacional e permaneceram em Brasília enquanto o senador deixava o território brasileiro.
Integrantes da campanha presidencial também teriam sido surpreendidos. Segundo a Folha de S.Paulo, aliados próximos afirmaram desconhecer o paradeiro de Flávio e acompanharam pela imprensa as primeiras informações sobre sua saída do país.
A viagem ocorreu dois dias depois da derrota do senador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, Flávio já estava submetido a medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre as restrições impostas estavam a proibição de deixar o Brasil e a obrigação de entregar seus passaportes à Polícia Federal. Conforme as informações divulgadas, o parlamentar não cumpriu o prazo estabelecido para apresentar os documentos.
Mesmo diante da decisão judicial, Flávio atravessou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas. O grupo passou pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, às 22h50.
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, a família passou pelo controle migratório com documentos válidos. Posteriormente, embarcou em um avião particular com destino inicial a Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos.
O jatinho chegou ao aeroporto de Opa-Locka, em Miami, na manhã de quarta-feira (28). A Agência Brasil informou que o pouso ocorreu pouco antes das 10h30, no horário de Brasília, conforme registros de monitoramento da aeronave.
Antes de viajar, o senador havia publicado um vídeo nas redes sociais afirmando que cumpriria a determinação judicial e não pretendia deixar o Brasil. No entanto, sua saída ocorreu sem que os passaportes fossem entregues à Polícia Federal.