“VAMOS APREENDER TUDO”

Abilio anuncia apreensão de mercadorias e diz que ambulantes "escolheram o conflito"

· 2 min de leitura
Abilio anuncia apreensão de mercadorias e diz que ambulantes "escolheram o conflito"
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini - Foto: Reprodução

Prefeito afirma que negociações foram encerradas e garante que mercadorias vendidas em locais irregulares serão apreendidas

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a Prefeitura iniciará a apreensão de mercadorias vendidas por ambulantes que voltaram a ocupar calçadas e vias públicas da região central da capital. Em entrevista, o gestor declarou que o município encerrou as tentativas de negociação e atribuiu aos comerciantes a decisão de levar o impasse para o confronto.

Segundo Abilio, a administração municipal dialoga com os ambulantes há mais de um ano, período em que, de acordo com ele, foram apresentadas alternativas para a continuidade das atividades comerciais. O prefeito, porém, afirma que os compromissos assumidos pelos vendedores não foram cumpridos.

Notícias exclusivas no WhatsApp acessando o link: (clique aqui)
Seja nosso seguidor no Instagram  (clique aqui)
Seja nosso seguidor no X antigo Twiter (clique aqui)

"Tem mais de um ano que a gente está em conversa. Nenhum dia desse período eles se comportaram conforme foi combinado", declarou.

Na avaliação do prefeito, parte dos ambulantes estaria interessada em provocar uma reação da Prefeitura em razão do período pré-eleitoral, utilizando as ações de fiscalização como argumento político.

"Eu acho que, dado o ano eleitoral, eles querem esse conflito para poder polemizar durante o período eleitoral. Acho que eles querem realmente que a Prefeitura vá lá e faça a apreensão para criar a narrativa de que o prefeito foi lá e apreendeu a mercadoria do trabalhador", afirmou.

Mesmo diante desse cenário, Abilio garantiu que as operações de fiscalização serão mantidas.

"Se eles querem criar essa narrativa, eles vão ter. Porque nós vamos fazer a atuação. Nós vamos fazer a apreensão dos produtos", disse.

O prefeito também afirmou que a Prefeitura chegou a discutir investimentos para estruturar um espaço destinado aos ambulantes, mas condicionou a iniciativa ao cumprimento das regras estabelecidas para a ocupação do espaço público.

"Se eles cumprissem aquilo que foi combinado, a gente faria o investimento. Agora eu vou fazer o investimento da rua e eles vão continuar no meio da calçada?", questionou.

De acordo com Abilio, o foco da fiscalização é assegurar a acessibilidade e a circulação de pedestres, principalmente idosos e pessoas com deficiência, que enfrentariam dificuldades para transitar pelas calçadas ocupadas.

"Eu estou de olho naquela senhorinha que não tem onde passar na calçada. Tem cadeirante que não consegue circular porque não respeitam mais nenhum espaço da calçada", afirmou.

Para o prefeito, o principal interesse dos ambulantes não é ocupar um espaço regularizado, mas permanecer nos pontos de maior fluxo de pessoas para aumentar as vendas.

"Eles não querem um espaço para ficar. O que eles querem é a circulação de pessoas. Onde passa gente, eles querem estar", declarou.

Na avaliação do gestor, essa diferença de interesses impede que haja um consenso entre a administração municipal e os comerciantes informais.

"A nossa defesa é a acessibilidade e a mobilidade. A defesa deles é vender onde existe maior circulação. Então nunca vai haver consenso", disse.

Abilio confirmou ainda que, após as apreensões, roupas, calçados e outros produtos serão armazenados em um barracão e, posteriormente, destinados a instituições assistenciais por meio de um chamamento público. Mercadorias que ofereçam riscos à população, como óculos sem certificação adequada, receberão tratamento específico.

"Vai apreender roupa, vai apreender tudo. Depois vamos fazer um chamamento público para doar esses produtos às instituições carentes", afirmou.

Apesar do endurecimento da fiscalização, o prefeito ressaltou que mantém uma relação cordial com diversos ambulantes, inclusive comerciantes haitianos que trabalham na região central da cidade. Ainda assim, disse que a escolha pelo confronto poderá trazer consequências aos vendedores.

"São pessoas com quem eu me relaciono bem. Mas, infelizmente, eles escolheram um caminho de conflito com o Poder Executivo e o resultado não vai ser bom para eles", concluiu.