O deputado federal e candidato ao Senado Zacharias Calil (MDB) afirmou nesta terça-feira (15) que mudou de posição sobre a federalização da segurança pública e agora defende que os estados mantenham autonomia sobre suas polícias. Durante entrevista ao Bom Dia Goiás, o parlamentar reconheceu que chegou a defender outra solução em 2018, mas disse ter revisto a ideia após discussões sobre o tema.
A declaração ocorreu durante entrevista em que Zacharias também falou sobre sua saída do União Brasil, a disputa pelo Senado, saúde pública, fim da escala 6x1, emendas PIX e propostas para melhorar o transporte entre o Entorno do Distrito Federal e Brasília.
Zacharias deixou o União Brasil depois de reclamar da falta de espaço para disputar o Senado. Segundo ele, o atual governador Daniel Vilela (MDB), então vice-governador, o convidou para ingressar no MDB e garantiu espaço para sua candidatura.
“Se eu não tiver espaço ali, eu vou procurar outro partido que me acolhe. E aí o Daniel Vilela, na época era o vice, me convidou para vir para o MDB dizendo que a vaga do Senado seria minha”, afirmou.
O deputado disse ainda que conversou com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, antes de fechar o acordo. Questionado se a base governista errou ao lançar quatro nomes para as duas vagas ao Senado, Zacharias negou.
Para ele, a quantidade de candidatos amplia a possibilidade de votos para o grupo político e pode até reduzir o percentual necessário para que um integrante da base consiga uma das cadeiras.
Saúde continua como carro-chefe
Médico conhecido pela atuação em cirurgias pediátricas, especialmente na separação de gêmeos siameses, Zacharias também foi questionado sobre sua atuação na saúde.
O deputado afirmou ser titular da Comissão de Saúde da Câmara e defendeu a atualização da tabela do SUS, que, segundo ele, sofre com defasagem há mais de duas décadas. Para Zacharias, o problema ajuda a explicar o afastamento de hospitais particulares do atendimento pelo sistema público.
Ele também afirmou que considera praticamente impossível “zerar” completamente a fila de cirurgias do SUS e defendeu a definição de prioridades para pacientes com determinadas doenças.
“Zerar a fila na saúde é praticamente impossível. Agora, nós temos que ter projetos de prioridades”, disse.
Zacharias rejeitou ainda a ideia de que tenha ficado restrito à saúde durante sua passagem pela Câmara. Segundo ele, o setor é seu “carro forte”, mas uma eventual atuação no Senado também envolveria infraestrutura, orçamento e articulação federativa.
Zacharias diz que votaria a favor de mudança na jornada
Outro assunto abordado foi a proposta relacionada ao fim da escala 6x1. Zacharias lembrou que existe diferença entre escala e jornada de trabalho e afirmou que votaria favoravelmente à mudança.
O parlamentar contou que sua experiência na área médica influenciou sua avaliação, principalmente ao observar profissionais de enfermagem trabalhando em vários locais para complementar a renda.
“Mas eu sou a favor, gente. Tem que, sim, melhorar a saúde”, declarou ao falar dos impactos da rotina de trabalho.
“A gente pode mudar”, diz sobre segurança
O momento de maior mudança de posição apareceu quando Zacharias foi questionado sobre a federalização da segurança pública.
Em 2018, ele havia discutido a criação de um sistema único de segurança, comparado a um “SUS da segurança pública”. Agora, porém, o candidato ao Senado rejeita a possibilidade de a União assumir maior controle sobre as forças estaduais.
“Eu penso que o Estado tem que ter autonomia da sua segurança pública, porque é muito complicado você pegar uma federação e trazer para tomar conta, por exemplo, das forças de segurança no seu Estado”, afirmou.
Questionado diretamente sobre a mudança de posição, Zacharias confirmou.
“É, exatamente. A gente pode mudar, né”, respondeu.
O deputado relatou que chegou a conversar sobre o assunto com Ronaldo Caiado e disse que o então governador era contrário à possibilidade de interferência federal sobre as forças policiais de Goiás.
Zacharias passou então a defender o modelo estadual e citou Goiás como exemplo. Segundo ele, existe no estado uma percepção maior de segurança e rapidez na solução de crimes.
Como proposta, o candidato afirmou que pretende buscar recursos para melhorar a estrutura das forças policiais. Ele citou ainda um projeto para ampliar o acesso à internet por policiais, inclusive em áreas rurais, permitindo consultas a informações durante abordagens e operações.
Emenda PIX e fiscalização
Zacharias também afirmou ter destinado apenas uma emenda PIX durante seu mandato. Segundo ele, foram R$ 250 mil para a cidade de Goiás, destinados ao Caminho de Cora.
O parlamentar disse que deixou de utilizar a modalidade por preocupação com fiscalização e transparência. Na avaliação dele, mudanças posteriores nas regras permitiram maior rastreamento dos recursos.
VLT para ligar Entorno a Brasília
Na reta final da entrevista, Zacharias defendeu ainda investimentos em transporte de massa entre municípios do Entorno e Brasília.
O candidato citou especificamente a situação entre Luziânia e a capital federal e defendeu a implantação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) aproveitando a estrutura ferroviária existente.
“Nós queremos o VLT, é onde nós podemos tirar aquilo ali do papel e fazer o transporte de massa”, afirmou.
Segundo Zacharias, recursos do Orçamento da União poderiam ajudar a financiar tanto a infraestrutura quanto uma eventual integração tarifária.
Ao encerrar a entrevista, o candidato pediu atenção do eleitor ao segundo voto para o Senado e destacou sua trajetória profissional.
“Agora o segundo voto é o voto de opinião, de ver quem que é a pessoa, o seu trabalho prestado no Estado ao longo da vida”, declarou.