Candidato ao Governo evita classificar reajuste como eleitoreiro e defende ampliação de benefícios sociais
O reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal provocou avaliações diferentes entre dois candidatos do PL. Enquanto Flávio Bolsonaro criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo momento escolhido para elevar o benefício, Wellington Fagundes, que disputa o Governo de Mato Grosso, afirmou ser favorável ao aumento e defendeu o fortalecimento das políticas de transferência de renda.
Wellington foi questionado nesta terça-feira (22) sobre o acréscimo de aproximadamente 15% no programa. A mudança foi anunciada a 17 dias do primeiro turno das eleições.
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Em vez de atribuir caráter eleitoral à decisão do governo Lula, o candidato mato-grossense direcionou sua resposta para a situação econômica das famílias de baixa renda. Na avaliação dele, o poder público precisa ampliar a proteção social diante do número de brasileiros que enfrentam dificuldades financeiras.
O senador também afirmou que considera possível avançar ainda mais no valor destinado aos beneficiários.
“Nesse momento de tanta pobreza no Brasil, crime organizado tomando conta, nós temos que cuidar do social”, declarou.
Para defender esse posicionamento, Wellington fez uma comparação com as políticas adotadas durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Ele lembrou que, durante a pandemia, o Congresso aprovou medidas para aumentar o auxílio destinado à população e destacou a atuação do então presidente na ampliação dos pagamentos.
“Foi essa a atitude nossa quando éramos governo e nós queremos que aumente mais, porque as pessoas estão precisando”, disse.
O candidato ao Palácio Paiaguás também relacionou a discussão à renda dos trabalhadores e se declarou favorável à elevação do salário mínimo.
A manifestação de Wellington contrasta com a reação inicial de Flávio Bolsonaro ao anúncio feito pelo atual governo.
Na disputa pela Presidência da República, Flávio questionou principalmente a proximidade entre o reajuste e a votação do primeiro turno. Ele classificou a iniciativa de Lula como um “ato de desespero” e acusou o petista de tentar “comprar o voto” da parcela mais pobre da população.
Apesar da crítica ao presidente e ao momento da concessão do aumento, Flávio posteriormente afirmou que não pretende retirar o reajuste caso vença a eleição.
O governo federal sustenta que a elevação do Bolsa Família corresponde à recomposição do valor do benefício. O reajuste anunciado é de 15,04%, fazendo o piso passar de R$ 600 para R$ 691.
Assim, embora Wellington e Flávio não tenham apresentado divergência sobre a manutenção de um benefício maior, os dois adotaram discursos distintos sobre a decisão de Lula. O candidato ao Governo de Mato Grosso concentrou sua manifestação na necessidade de ampliar a assistência social, enquanto o presidenciável do PL questionou a motivação e o momento do anúncio.