Vídeo foi publicado três dias antes da Operação Tomada de Contas; decisão do STJ aponta chefe de gabinete como possível operadora de saques suspeitos
A chefe de gabinete do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Roseli Loss, presa preventivamente nesta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, apareceu em um vídeo publicado três dias antes da prisão, brindando com champanhe durante uma estadia em um hotel de luxo de São Paulo. Nas imagens, ela está acompanhada da apresentadora de televisão Giseli Almeida, irmã do presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, também preso na operação.
A gravação foi divulgada nas redes sociais de Roseli e mostra as duas comemorando a hospedagem. Segundo informações divulgadas sobre a viagem, elas teriam ficado no Rosewood São Paulo, empreendimento de alto padrão instalado no complexo Cidade Matarazzo, na região da Bela Vista, nas proximidades da Avenida Paulista.
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Giseli Almeida não figura entre os alvos da Operação Tomada de Contas. Também não há, nas informações apresentadas, indicação de que a viagem ou a hospedagem estejam relacionadas às irregularidades investigadas pela Polícia Federal.
Roseli, por outro lado, é apontada pelos investigadores como uma das pessoas de confiança de Sérgio Ricardo e teria desempenhado uma função importante na movimentação de dinheiro em espécie vinculada ao suposto esquema.
Conforme a decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a chefe de gabinete teria participado diretamente da execução de operações financeiras consideradas suspeitas.
“Conforme narrado pela Polícia Federal, a investigada seria a principal operadora dos saques realizados nas contas vinculadas ao núcleo central da organização, figurando repetidamente nas imagens captadas no posto bancário instalado no próprio TCE/MT”, registrou o ministro.
A investigação sustenta que Roseli aparece com frequência em registros de câmeras de segurança do posto bancário localizado dentro do Tribunal de Contas. As imagens são analisadas para esclarecer a retirada e a circulação de valores em espécie.
O vínculo profissional de longa data com Sérgio Ricardo também foi considerado na avaliação judicial sobre a necessidade da prisão preventiva.
Na decisão, Og Fernandes destacou que a permanência de Roseli no círculo de confiança do presidente do TCE-MT, associada às funções que supostamente exercia na movimentação de recursos, justificaria a adoção de uma medida cautelar mais rigorosa.
“Embora o Ministério Público Federal sustente que medidas restritivas poderiam neutralizar sua atuação, verifica-se que a investigada integra por um longo período o círculo de confiança do principal investigado e, segundo os elementos reunidos, exerceu funções operacionais permanentes na retirada e circulação do numerário”, afirmou.
A prisão de Roseli ocorreu durante a operação que também levou à detenção preventiva de Sérgio Ricardo e de outras quatro pessoas.
A Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de irregularidades na administração de contratos e pagamentos do TCE-MT, além de movimentações financeiras que podem estar relacionadas a desvios de recursos públicos.
A participação individual dos investigados ainda está sendo apurada. A prisão preventiva não representa condenação, e os elementos reunidos pela Polícia Federal serão submetidos à análise judicial.
Vídeo: Reprodução/ Internet