RACISMO E MISOGINIA

UFMT investiga estudantes de Economia por mensagens racistas e misóginas

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UFMT investiga estudantes de Economia por mensagens racistas e misóginas
Foto: Reprodução / Internet

Denúncia envolve conversas em grupos de WhatsApp e também foi levada à polícia e ao FalaBR

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) abriu uma apuração interna para investigar mensagens de conteúdo racista e misógino atribuídas a estudantes do curso de Economia, no campus de Cuiabá. O caso envolve conversas mantidas em grupos de WhatsApp ligados aos acadêmicos e também foi levado à polícia.

A denúncia foi formalizada pelo Centro Acadêmico de Economia (Caeco) e encaminhada à Ouvidoria da instituição. Nesta segunda-feira (5), o caso seguiu para o setor responsável pela adoção das providências previstas no Regimento Disciplinar do Corpo Discente.

A universidade informou que o procedimento tramita sob sigilo e, por esse motivo, não fornece oficialmente os nomes, o número de envolvidos ou detalhes sobre as manifestações investigadas.

“A Universidade esclarece que a apuração seguirá os procedimentos internos previstos na regulamentação institucional, incluindo, quando cabível, a constituição de comissão competente para análise dos fatos e a adoção das medidas administrativas pertinentes, assegurados o contraditório e a ampla defesa”, informou a UFMT.

Enquanto o procedimento está em andamento, os estudantes apontados na denúncia continuam frequentando normalmente as aulas. A instituição ressaltou que eventuais medidas serão tomadas somente dentro do processo administrativo, com garantia de contraditório e ampla defesa.

Conforme boletim de ocorrência registrado sobre o caso, as manifestações teriam começado durante uma discussão política no grupo de WhatsApp denominado “INFORMES-ECONOMIA”.

Segundo a denúncia, três estudantes estariam envolvidos. Um deles teria compartilhado uma figurinha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) representado com a pele negra e com associação entre sua cor e criminalidade. Outro acadêmico teria se referido a uma pessoa como “carvão”.

Após essas manifestações, os dois foram retirados do grupo e o envio de mensagens teria sido limitado aos administradores.

Ainda de acordo com o relato apresentado pelo Caeco, a discussão continuou posteriormente em outro grupo, denominado “GERAL”, administrado pela Atlética Monopólio.

Nesse espaço, um estudante teria escrito uma mensagem afirmando que pessoas negras estariam “achando que têm direito”. A denúncia também menciona o compartilhamento de áudios e figurinhas de conteúdo racista, incluindo uma imagem que associaria o bebê de uma mulher negra a um macaco.

As mensagens denunciadas também teriam conteúdo direcionado contra mulheres. Em uma das manifestações relatadas, um estudante questiona se utilizar determinada expressão para se referir a uma pessoa negra seria racismo. Em outra, faz declarações ofensivas contra mulheres.

O Caeco afirma ainda que a presidente da atlética teria relativizado parte das manifestações, circunstância que também consta no relato apresentado sobre o episódio.

Além do boletim de ocorrência, o caso foi denunciado por meio do FalaBR, plataforma do Governo Federal, e encaminhado à Liga das Atléticas da Universidade Federal de Mato Grosso (Lauf).

A UFMT afirmou que poderá constituir uma comissão para analisar os fatos, caso essa providência seja considerada necessária durante o procedimento.

Em nota, a universidade também declarou que mantém compromisso com “o respeito à diversidade, à dignidade das pessoas e com a manutenção de um ambiente universitário livre de discriminação e violência”.

Confira a nota da instituição na integra

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), via Faculdade de Economia, Campus Cuiabá,  informa que a denúncia relacionada às manifestações de cunho racista e misógino atribuídas a estudantes do curso de Economia foi encaminhada, nesta segunda-feira (5), pela Ouvidoria da Universidade à unidade competente, que já está adotando as providências administrativas cabíveis, em conformidade com a legislação vigente e com o Regimento Disciplinar do Corpo Discente.

Por se tratar de procedimento que tramita sob sigilo, a UFMT não pode fornecer informações sobre nomes, número de envolvidos ou conteúdo das manifestações. Eventuais esclarecimentos sobre o procedimento serão prestados, quando cabíveis, pelas instâncias institucionais competentes, observados os limites legais de sigilo e proteção de dados.

A Universidade esclarece que a apuração seguirá os procedimentos internos previstos na regulamentação institucional, incluindo, quando cabível, a constituição de comissão competente para análise dos fatos e a adoção das medidas administrativas pertinentes, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

A UFMT reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade, à dignidade das pessoas e com a manutenção de um ambiente universitário livre de discriminação e violência.