OPERADORES NA MIRA

Três servidores do TCE presos pela PF teriam recebido R$ 28 milhões em pagamentos suspeitos

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Três servidores do TCE presos pela PF teriam recebido R$ 28 milhões em pagamentos suspeitos
Foto: Reprodução/ Montagem

Gustavo Fernandes, Felipe Glinke e Adriangelo Antunes são investigados por movimentações milionárias e possível participação na circulação de dinheiro em espécie

Três servidores do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), presos durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (29), teriam recebido aproximadamente R$ 28 milhões em movimentações financeiras investigadas por suspeitas de irregularidades. Os valores são atribuídos aos advogados Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke e ao servidor Adriangelo Barros Antunes, conforme decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A investigação aponta que os três teriam desempenhado funções diferentes na circulação dos recursos. Enquanto Gustavo e Felipe aparecem como destinatários de transferências milionárias realizadas por meio de diversas contas bancárias, Adriangelo é investigado por supostamente transportar dinheiro em espécie retirado de uma agência bancária.

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Entre os três, Gustavo Fernandes da Silva concentra o maior volume financeiro. Assistente jurídico do consultor jurídico-geral do TCE-MT, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, ele teria recebido R$ 15,8 milhões por meio de 144 ordens bancárias avulsas, distribuídas entre oito contas mantidas em sete instituições financeiras.

Segundo a decisão, Gustavo é apontado pela Polícia Federal como um dos possíveis operadores financeiros do esquema. Registros de câmeras de segurança de uma instituição bancária teriam identificado sua participação em operações relacionadas à retirada de valores em espécie.

“Além de figurar entre os principais beneficiários das transferências realizadas, o investigado aparece em diversos episódios registrados pelas câmeras da instituição financeira, realizando operações que, segundo a Polícia Federal, evidenciam atuação direta na conversão dos recursos em espécie”, destacou Og Fernandes.

O ministro também chamou a atenção para a utilização de diferentes contas bancárias na movimentação dos valores, circunstância considerada relevante pelos investigadores para compreender o possível funcionamento do esquema.

“As movimentações financeiras atribuídas ao investigado alcançam cifras expressivas e foram distribuídas em múltiplas contas bancárias, circunstância reveladora de sofisticado mecanismo de circulação de recursos”, consta na decisão.

Outro investigado é Felipe José Glinke, que teria recebido aproximadamente R$ 9,9 milhões. Desse montante, R$ 9,6 milhões foram movimentados por meio de 80 ordens bancárias avulsas, com depósitos distribuídos entre oito contas de seis instituições financeiras.

A Polícia Federal também identificou quatro gravações feitas entre setembro e outubro de 2025 nas quais Felipe aparece em situações examinadas pelos investigadores. Os registros integram o conjunto de elementos utilizados para apurar sua possível participação nas movimentações financeiras.

Já Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de uma comissão permanente do TCE-MT e ex-cunhado do presidente da instituição, Sérgio Ricardo de Almeida, teria recebido aproximadamente R$ 2,28 milhões.

Diferentemente dos outros dois investigados, Adriangelo é apontado como possível responsável pelo transporte de dinheiro em espécie.

Um dos episódios mencionados na decisão ocorreu em 14 de outubro de 2025. Na ocasião, imagens analisadas pela Polícia Federal mostrariam um homem com características físicas semelhantes às de Adriangelo entrando em uma agência bancária com uma mochila aparentemente vazia.

Ao deixar o estabelecimento, o homem estaria com a mochila aparentemente carregada e teria seguido em direção às dependências do Tribunal de Contas.

A investigação também indica que Adriangelo teria recebido dinheiro retirado por Roseli Loss, chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, igualmente presa durante a operação.

Outro ponto analisado pelos policiais envolve o destino dos valores creditados nas contas do servidor. Conforme a decisão, parte dos recursos teria sido transferida à esposa, à filha e a uma terceira pessoa ainda não identificada.

“Depreende-se da investigação que parte dos valores recebidos em suas contas teria sido destinada à sua esposa, filha e terceira pessoa não identificada, o que demonstra, ao menos nesta análise inicial, a tentativa de ocultação dos valores”, registrou o ministro.

A Operação Tomada de Contas investiga possíveis irregularidades na administração de contratos e pagamentos do TCE-MT, incluindo suspeitas de favorecimento financeiro, movimentações bancárias atípicas e circulação de dinheiro em espécie.

Além de Gustavo, Felipe e Adriangelo, foram presos preventivamente o presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; e Roseli Loss.

Os conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar também foram afastados de suas funções por determinação judicial.

A operação contou com o cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. O STJ autorizou ainda medidas de acesso a informações protegidas por sigilo e sequestro de bens relacionados à investigação.

As movimentações atribuídas aos investigados seguem sob análise da Polícia Federal. Os valores recebidos não correspondem necessariamente a recursos comprovadamente desviados, e a responsabilidade criminal dos envolvidos ainda será apurada.