“MASSACRAR O CANDIDATO”; VEJA VÍDEO

Thiago Boava defende cobrança dura de eleitores sobre deputados que abandonarem discurso

· 3 min de leitura
Thiago Boava defende cobrança dura de eleitores sobre deputados que abandonarem discurso
O deputado federal, Thiago Boava - Foto: Reprodução / Yasmin Silva

Deputado federal eleito por Mato Grosso teme que a distribuição de ministérios seja usada para pressionar parlamentares a abandonar compromissos assumidos durante a campanha

O deputado federal eleito por Mato Grosso Thiago Boava, conhecido como Hey Roy (PL), demonstrou preocupação com a possibilidade de parlamentares eleitos com o discurso de direita mudarem de posicionamento político após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. Durante entrevista à imprensa, ele alertou para o risco de partidos negociarem apoio ao governo em troca de espaços na administração federal e cobrou fidelidade aos compromissos assumidos com os eleitores.

Segundo Hey Roy, a composição política do novo Congresso deve ser orientada pelas propostas defendidas durante a campanha, independentemente das articulações que venham a ocorrer entre o governo e as lideranças partidárias.

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"O eleitor foi às urnas e elegeu esses senadores e esses deputados mediante o posicionamento e o discurso. Agora eles têm que honrar o que foi falado e o voto recebido", afirmou.

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Vídeo: Danilo Figueiredo

A principal preocupação apontada pelo parlamentar envolve uma eventual distribuição de ministérios entre partidos interessados em integrar a base de sustentação de Lula. Na avaliação dele, dirigentes partidários poderiam utilizar os cargos obtidos nas negociações para pressionar deputados e senadores a acompanhar decisões contrárias às bandeiras que defenderam nas urnas.

"O grande problema pode ser o fatiamento dos ministérios e os partidos, os caciques partidários, cada um querer ficar com a sua fatia e depois cobrar a fatura dos eleitos aí que estão nos partidos", declarou.

Hey Roy defendeu que os próprios eleitores acompanhem o comportamento dos representantes escolhidos e cobrem explicações caso identifiquem mudanças de posicionamento.

"O eleitor que tem que agora massacrar o seu candidato, né? Ou aguardar daqui a quatro anos e trocar", disse, ao utilizar a expressão para defender uma cobrança política sobre os eleitos.

O deputado também comentou a postura que poderá ser adotada pelos partidos de centro diante da continuidade de Lula na Presidência. Questionado se existe preocupação dentro do PL, ele respondeu que sim, embora tenha ponderado que ainda é cedo para antecipar como as negociações ocorrerão.

"Existe essa preocupação porque a gente sabe que o centro sempre é fisiológico, né? Então fica essa questão com a gente, como vai ser. Mas acho que falta muita coisa, é muito recente, é difícil a gente fazer um pré-julgamento", afirmou.

Apesar das críticas, Hey Roy reconheceu que não há definição sobre eventuais acordos entre as legendas e o governo federal.

"Não sabemos ainda o que vai acontecer, mas a gente sabe que no Brasil pode acontecer de tudo", acrescentou.

Durante a entrevista, o deputado também foi questionado sobre informações envolvendo a família Bolsonaro, incluindo relatos sobre apreensão de passaporte e uma suposta viagem à Argentina.

Ao ouvir uma pergunta sobre a apreensão de passaporte, Hey Roy inicialmente entendeu que o assunto se referia a Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência, e criticou a possibilidade de uma medida judicial contra ele. O entrevistador, porém, esclareceu que se referia ao irmão do senador.

Em seguida, o parlamentar foi questionado sobre uma publicação atribuída a um site argentino, segundo a qual um integrante da família Bolsonaro teria desembarcado no país vizinho.

Hey Roy afirmou não possuir informações que confirmassem a viagem e evitou assegurar se ela havia ocorrido.

"Pode ir como pode não ter ido. Eu não tenho informação se ele viajou ou não", declarou.

O deputado também minimizou a repercussão das informações e atribuiu parte das especulações a adversários políticos.

"Não vejo motivo para todo esse alarde. Não sei o que ele poderia estar devendo para tudo isso. Isso aí é narrativa da esquerda já querendo alegar N situações", afirmou.

As declarações foram feitas em meio às discussões sobre o resultado da eleição presidencial e sobre a reorganização das forças políticas no Congresso. Hey Roy reforçou que, independentemente das negociações partidárias, espera que os parlamentares identificados com a direita mantenham os posicionamentos apresentados durante a campanha.