"ESCALA ZERO POR ZERO"

Abílio sugere que eleitores petistas peçam demissão de empresas comandadas por bolsonaristas

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Abílio sugere que eleitores petistas peçam demissão de empresas comandadas por bolsonaristas
Foto: Reprodução/ Victor Ostetti

Em tom de deboche, Abílio sugeriu que eleitores do presidente deixem seus empregos para não sofrerem em ambientes comandados por apoiadores de Bolsonaro

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), criticou a possibilidade de empresários demitirem funcionários por terem votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ironizou os eleitores petistas ao sugerir que eles próprios peçam demissão caso trabalhem para empregadores bolsonaristas. A declaração foi dada durante entrevista à imprensa nesta terça-feira (27), ao comentar um movimento que ganhou repercussão nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais.

O assunto surgiu após relatos de que empresários estariam sendo incentivados a dispensar trabalhadores que apoiaram a reeleição de Lula. A discussão também chegou a Mato Grosso, onde manifestações favoráveis à liberdade dos empregadores para realizar demissões por divergências políticas provocaram reações.

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Questionado sobre o tema, Abílio afirmou ser contrário à perseguição de trabalhadores em razão de suas escolhas eleitorais e rejeitou a ideia de uma onda de demissões motivada pelo resultado das urnas.

"Não, eu não acho que a gente deve iniciar uma caça às bruxas dessa forma, não. Eu não acho que a gente deve fazer isso, e eu não acho que a gente tem que sair mandando embora o pessoal que votou no Lula. Não sou a favor disso", declarou.

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Vídeo: Danilo Figueiredo

Na sequência, entretanto, o prefeito adotou um tom irônico ao defender que os próprios eleitores do presidente deixem seus empregos caso considerem desconfortável trabalhar para empresários identificados com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Eu acho que o pessoal que votou no Lula que tem que pedir demissão, porque é muito opressor trabalhar para um bolsonarista, né?", afirmou.

Abílio prosseguiu com as provocações e fez referência às discussões sobre a redução da jornada de trabalho, sugerindo que os apoiadores do petista procurem empresas alinhadas às suas convicções políticas.

"Então, assim, para que ele não fique sofrendo, trabalhando num ambiente de trabalho que o chefe é um bolsonarista, eu acho que o pessoal que votou no Lula tem que pedir demissão para poder ter uma vida mais tranquila, curtir a escala zero por zero, sem precisar trabalhar todos os dias da semana", ironizou.

O prefeito também utilizou expressões frequentemente associadas às críticas dirigidas aos apoiadores de Bolsonaro para reforçar o tom de deboche.

"Então, o pessoal que votou no Lula, que trabalha para um bolsonarista, peça demissão, porque é muito opressor trabalhar para um fascista, uma pessoa que prega atos antidemocráticos e tudo mais, e busque trabalhar numa empresa que prega as mesmas liberdades de trabalhar três dias, quatro dias da semana e tudo mais", disse.
Ainda durante a entrevista, Abílio voltou a ironizar a relação entre empregados petistas e patrões bolsonaristas, afirmando que a convivência poderia provocar desgaste emocional nos trabalhadores.

"Porque os bolsonaristas não são bons chefes, né? Não são bons patrões. E a pessoa fica sofrendo nesse ambiente de trabalho, um ambiente que cria até uma situação ruim para essas pessoas. Imagina o emocional dessas pessoas", acrescentou.
Apesar das provocações, o prefeito reiterou que não concorda com demissões motivadas exclusivamente pela preferência política dos funcionários. Segundo ele, a decisão de permanecer ou não no emprego deve partir do próprio trabalhador.

"Agora, o patrão mandar embora, eu sou contra. Eu acho que ele tem que deixar a liberdade da pessoa escolher", concluiu.

A discussão sobre possíveis dispensas por posicionamento eleitoral levanta questionamentos trabalhistas, uma vez que a legislação brasileira protege os trabalhadores contra práticas discriminatórias, inclusive relacionadas a convicções políticas.