A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), atravessa um dos momentos mais delicados desde o início da corrida eleitoral de 2026. O desgaste político ganhou força após denúncias envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a ligação do projeto com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master.
As revelações publicadas por veículos nacionais e internacionais apontam que Flávio teria buscado apoio financeiro milionário junto a Vorcaro para viabilizar a produção cinematográfica nos Estados Unidos. Segundo reportagens, o projeto teria recebido promessas de aporte que ultrapassariam US$ 20 milhões, levantando suspeitas de possível lavagem de dinheiro e uso do longa como mecanismo de circulação de recursos de origem questionável.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de áudios e mensagens que colocariam o senador diretamente nas negociações com o empresário. A oposição passou a explorar o episódio como símbolo de contradição do discurso anticorrupção defendido pelo bolsonarismo ao longo dos últimos anos. Analistas políticos avaliam que o escândalo ameaça afastar parte do eleitorado conservador moderado, especialmente mulheres e eleitores indecisos preocupados com estabilidade institucional e ética pública no Brasil.
O filme Dark Horse, que conta com o ator Jim Caviezel no papel de Bolsonaro, deveria funcionar como instrumento de fortalecimento político e reconstrução da imagem do ex-presidente após sua condenação judicial. No entanto, o projeto acabou se transformando em foco de desgaste para o grupo político. Investigadores agora tentam rastrear o fluxo internacional dos recursos destinados à produção, incluindo transferências para fundos no Texas e possíveis conexões com aliados da família Bolsonaro nos Estados Unidos.
Nos bastidores de Brasília, o impacto já provoca movimentações dentro da direita. Lideranças conservadoras passaram a discutir alternativas eleitorais diante do risco de agravamento das investigações. O nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a circular como possível substituta numa eventual desistência de Flávio da disputa presidencial.
Apesar de negar irregularidades e afirmar que se trata apenas de captação privada para uma obra cinematográfica, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para conter o desgaste político. O episódio reacendeu antigas críticas relacionadas a suspeitas financeiras envolvendo o senador, incluindo o caso das “rachadinhas”, frequentemente lembrado por adversários em meio à nova crise.
Para cientistas políticos, o escândalo pode marcar uma mudança importante na dinâmica eleitoral de 2026. Se antes Flávio buscava herdar diretamente o capital político do pai, agora tenta evitar que a associação entre cinema, dinheiro e suspeitas de corrupção transforme sua candidatura em um peso eleitoral para a própria direita brasileira.