Segunda necropsia não conseguiu determinar se advogada morreu por suicídio ou homicídio
A advogada Viviane de Souza Fidélis, de 30 anos, foi sepultada na última quarta-feira (5), quase um ano depois de ser encontrada morta no apartamento onde morava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Ela morreu em setembro de 2025, mas o corpo permaneceu sob responsabilidade da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) por vários meses para a realização de novos exames.
A demora para o sepultamento ocorreu em meio à insistência da família por respostas sobre as circunstâncias da morte. Desde que Viviane foi encontrada, os familiares contestam a conclusão inicial de que ela teria cometido suicídio e questionam procedimentos adotados durante a investigação.
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Durante o sepultamento, o irmão da advogada, Júnior Fidélis, publicou um vídeo nas redes sociais em homenagem à irmã e afirmou que a família continuará cobrando esclarecimentos sobre o caso.
“Hoje, nós enterramos Viviane, mas não a verdade, não a justiça, não a responsabilidade. Viviane de Souza Fidélis, presente”, disse.
Na publicação, feita no perfil do Instagram “Caso Viviane Fidélis”, Júnior também criticou a atuação de órgãos públicos envolvidos na apuração. Ele classificou a irmã como vítima de supostas falhas institucionais e citou, entre os questionamentos da família, a preservação do local onde o corpo foi encontrado, a posição da vítima e a participação do ex-namorado na sequência dos fatos.
“O tempo, a corrupção, as falhas e as omissões institucionais também nos roubaram essa última despedida. Viviane morreu em circunstâncias até hoje não esclarecidas e, depois de morta, foi vítima da Politec, da Polícia Civil e também do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, que, ao invés de respostas, entregaram truculência, contradições, omissões criminosas e um arquivamento”, afirmou Júnior.
Viviane foi localizada sem vida na noite de 17 de setembro de 2025, no banheiro do apartamento em que residia, no Residencial Acácia. Conforme as informações divulgadas na época, ela estava com um cinto preso ao pescoço e ligado a uma estrutura existente no banheiro.
Inicialmente, a ocorrência foi registrada pela Polícia Civil como suicídio. Os questionamentos apresentados posteriormente pelos familiares, porém, fizeram com que a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) instaurasse um procedimento para apurar a morte e classificasse o caso como “morte a esclarecer”.
A investigação foi concluída pela DHPP em maio deste ano. Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil manteve a hipótese de suicídio. A corporação informou que foram realizados depoimentos, exames periciais, diligências complementares, análise do telefone celular da advogada e outras providências para esclarecer a dinâmica da morte.
De acordo com a Polícia Civil, não foram encontrados elementos capazes de comprovar a participação de outra pessoa no episódio. O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso em 4 de maio, para análise.
A família, entretanto, não concordou com a conclusão e continuou apontando dúvidas sobre a investigação. Entre os pontos questionados estão a forma como o local foi preservado e a atuação do ex-namorado da advogada. Os familiares sustentam que ele teria entrado no imóvel depois que Viviane foi encontrada e que teria mexido na posição do corpo.
As contestações levaram o Ministério Público a solicitar a realização de uma nova necropsia. O segundo exame foi feito pelo Instituto Médico Legal (IML), mas não conseguiu estabelecer de maneira definitiva a causa ou a dinâmica da morte.
O resultado foi classificado como “morte violenta a esclarecer”. Dessa forma, o novo exame não permitiu afirmar se Viviane morreu em decorrência de suicídio ou de homicídio.
Apesar do resultado inconclusivo da segunda necropsia, a Polícia Civil manteve a conclusão apresentada no primeiro inquérito, segundo a qual não foram identificados elementos que apontassem para a participação de terceiros.
O sepultamento encerrou uma espera de quase 11 meses para que a família pudesse finalmente se despedir da advogada. As circunstâncias da morte, porém, continuam sendo contestadas pelos familiares, que defendem a necessidade de novos esclarecimentos sobre o caso.