Senador afirma que ex-prefeito tem trajetória que o credencia à disputa, mas lembra que Natasha iniciou a pré-campanha antes
A possível entrada do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD), na disputa pelo Governo de Mato Grosso recebeu o aval do senador e presidente estadual do PSD, Carlos Fávaro. Segundo ele, o movimento é legítimo dentro da legenda e surgiu a partir da mobilização de filiados e dirigentes municipais, que apresentaram um manifesto defendendo a participação do ex-prefeito na corrida ao Palácio Paiaguás.
A definição sobre quem será o candidato do grupo de oposição ao governo estadual deve ocorrer apenas na convenção da Federação Brasil da Esperança formada por PT, PV e PCdoB marcada para o próximo dia 30 de julho. Até lá, o PSD busca construir um consenso entre os nomes colocados para a disputa.
Em entrevista coletiva concedida na última segunda-feira (20), Fávaro afirmou que incentivou o debate em torno da eventual candidatura de Emanuel após ser procurado por lideranças do partido em diversas regiões do Estado, que enxergam no ex-prefeito um nome competitivo para o pleito.
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“É legítimo, inclusive, eu estimulei, porque é normal, eu comecei a receber ligações, visitas de companheiros do partido em vários municípios, achando que o Emanuel tem uma história política de vários mandatos de deputado, que tem o filho duas vezes deputado federal, foi duas vezes prefeito da capital, seria um nome de peso para a disputa eleitoral, um nome robusto”, afirmou.
Apesar de reconhecer a força política de Emanuel Pinheiro, o senador ponderou que a médica Natasha Slhessarenko (PSD) chega em condição diferente ao processo interno. Conforme explicou, sua pré-candidatura começou a ser estruturada anteriormente e vem sendo construída de forma contínua dentro da sigla, fator que lhe confere vantagem na corrida pela indicação.
“A doutora Natasha é uma candidata de primeira candidatura, então o partido poderia ter a opção, é legítimo, e eu disse, é legítimo e pode pleitear (...) Mas eu também fiz a ressalva a esses companheiros e ao próprio Emanuel Pinheiro, eu venho conversando com ele que a doutora Natasha caminhou um pouco mais na pré-campanha, na construção”, pontuou.
Fávaro afirmou ainda que o PSD mantém conversas com ambos os pré-candidatos para evitar desgastes e garantir que o partido chegue unido à campanha eleitoral. Na avaliação dele, a construção de um entendimento interno é decisiva para fortalecer o grupo político antes do início oficial da disputa.
“A gente ainda está conversando com o Emanuel, conversando com a Natasha, buscando esse entendimento de um fortalecimento do grupo, fortalecimento da nossa composição política para vencer as eleições”, ponderou.
Durante a coletiva, o senador também foi questionado se episódios envolvendo Emanuel Pinheiro, entre eles o vídeo em que aparece colocando dinheiro nos bolsos do paletó, poderiam comprometer a imagem do PSD. Sem entrar no mérito das acusações, Fávaro argumentou que o ex-prefeito já foi submetido ao julgamento da população nas urnas.
“Eu não faço esse julgamento até porque as explicações já foram dadas e ele passou pelo principal dos crivos, ele passou pelo crivo das urnas e foi eleito pela população de Cuiabá, prefeito de Cuiabá”, concluiu.
Embora Fávaro adote um discurso de unidade, nos bastidores o ambiente está longe de ser pacífico. A articulação para lançar Emanuel Pinheiro ao Governo alterou o cenário que vinha sendo desenhado entre o PSD e a Federação Brasil da Esperança, provocando reações dentro das siglas aliadas. A presidente estadual do PT, Rosa Neide, chegou a reunir dirigentes em caráter emergencial para alinhar o posicionamento da federação, diante da resistência de parte do grupo à inclusão do ex-prefeito na chapa majoritária.