VÍDEO; SEM ARREPENDIMENTO

Processada por Erika Hilton, Michelly Alencar diz que não se arrepende e mantém posicionamento

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Processada por Erika Hilton, Michelly Alencar diz que não se arrepende e mantém posicionamento
Foto: Reprodução/ Frame Vídeo

Parlamentar cuiabana reafirmou críticas à presidência de uma comissão de direitos das mulheres por uma mulher trans

A vereadora por Cuiabá Michelly Alencar afirmou que não pretende recuar das declarações feitas sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), após ser alvo de uma representação na Justiça Eleitoral por uma publicação nas redes sociais. A parlamentar cuiabana confirmou que já apresentou sua defesa e voltou a questionar a escolha de Hilton, que é uma mulher trans, para presidir uma comissão voltada aos direitos das mulheres.

Durante entrevista, Michelly relatou que recebeu no domingo à tarde uma comunicação da Justiça Eleitoral informando sobre a medida apresentada pela deputada federal. Segundo ela, a representação está relacionada a uma postagem na qual manifestou seu posicionamento sobre a atuação de Erika Hilton.

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“Eu recebi no domingo à tarde um comunicado do TSE. A Justiça Eleitoral me acionando porque Erika Hilton entrou com uma representação contra mim com relação a um post que eu fiz e ela se sentiu ofendida”, declarou.

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Vídeo: Danilo Figueiredo

A vereadora afirmou que interpretou a iniciativa judicial como uma reação às posições políticas que costuma defender. Ela também disse considerar que a repercussão demonstra que suas manifestações alcançaram integrantes de grupos políticos com os quais mantém divergências.

“Eu me senti muito feliz, porque é sinal que eu tô no caminho certo, é sinal de que a gente tá incomodando, é sinal de que a gente está fazendo um trabalho bem feito”, afirmou.

Michelly declarou que não considera ofensiva a publicação questionada e sustentou que suas manifestações têm como objetivo expressar convicções políticas. Na avaliação dela, o conteúdo não ultrapassou os limites do debate público.

A parlamentar também criticou a postura de Erika Hilton em discussões políticas e afirmou que sua defesa já foi preparada para responder à representação.

“Eu nunca usei o meu posicionamento para desrespeitar as pessoas. Eu sempre usei meu posicionamento para demarcar aquilo que eu acredito e defender as minhas posições”, disse.

Ao ser questionada diretamente se havia se arrependido da postagem, Michelly descartou qualquer possibilidade de retratação.

“De jeito nenhum. Não me arrependo absolutamente de jeito nenhum”, respondeu.

A vereadora também reafirmou sua oposição à escolha de Erika Hilton para a presidência de uma comissão de defesa dos direitos das mulheres. Michelly argumentou que, em sua avaliação, a função deveria ser ocupada preferencialmente por uma mulher cisgênero, posição que já havia manifestado anteriormente na tribuna da Câmara Municipal de Cuiabá.

“Já me posicionei com relação a essa presidência ser ocupada por uma mulher trans. Já falei isso em plenário. Eu sou contra”, declarou.

Michelly mencionou sua experiência à frente da comissão dedicada aos direitos das mulheres na Câmara de Cuiabá e afirmou que acompanhou a criação do colegiado municipal. Segundo ela, essa trajetória fundamenta seu entendimento sobre a composição da presidência de órgãos legislativos com essa finalidade.

A vereadora defendeu que Erika Hilton poderia integrar a comissão ou ocupar a presidência de colegiados voltados a outros temas, como direitos humanos e inclusão, mas reiterou sua discordância quanto à presidência de uma comissão especificamente dedicada às mulheres.

“Ela pode ser membro, ela pode compor, mas a presidência, ela deve ser por uma mulher”, afirmou Michelly, ao defender sua posição contrária à escolha de uma mulher trans para a função.

Erika Hilton é uma mulher trans, e a divergência apresentada por Michelly envolve justamente o reconhecimento de mulheres trans no exercício de funções de representação política voltadas aos direitos das mulheres.

Ao encerrar suas declarações, a vereadora voltou a afirmar que não pretende modificar seu posicionamento em razão da medida judicial.

A representação mencionada por Michelly deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral. A entrevista não detalha os pedidos formulados por Erika Hilton, os fundamentos jurídicos da ação nem eventual decisão sobre o caso.