MANDATO INTERROMPIDO

"Não quero quebrar ponte", diz Antônio Lemes após renunciar sob pressão política; veja o vídeo

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"Não quero quebrar ponte", diz Antônio Lemes após renunciar sob pressão política; veja o vídeo
 O vereador Antônio Lemes - Foto: Reprodução /TV Câmara de Cuiabá

Vereador afirmou que pretendia continuar trabalhando por demandas comunitárias e descartou rompimento político

A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá terminou com mais uma mudança na composição do Legislativo. O vereador Antônio Lemes (PSD), que exercia temporariamente o mandato na condição de primeiro suplente, decidiu renunciar à cadeira após um desentendimento político envolvendo a eleição da Mesa Diretora. Ele afirma que passou a ser pressionado pelo titular da vaga depois de manifestar apoio à candidatura de Paula Calil. Com a saída, o segundo suplente, Misael Galvão, assumirá o cargo até 12 de novembro.

A informação sobre a substituição foi confirmada pelo procurador da Câmara Municipal. O retorno do titular, Jefferson Siqueira, está previsto para 13 de novembro, um dia após o encerramento da passagem de Misael pelo Legislativo.

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Ao explicar os motivos da renúncia, Lemes relatou que o desgaste começou durante as articulações para a escolha do novo presidente da Casa. Segundo ele, havia uma orientação para apoiar Ilde Taques, mas sua preferência era pela candidatura de Paula Calil, com quem mantinha conversas sobre projetos e reivindicações de comunidades da capital.

O parlamentar afirmou que a decisão de se aproximar de Paula estava relacionada a compromissos assumidos com moradores de três bairros onde atua no movimento comunitário. Conforme seu relato, parte dessas demandas foi encaminhada em conjunto com a então candidata e o prefeito Abilio Brunini.

“Eu não tenho nada contra o Ilde Taques, que é o futuro presidente dessa Casa, mas eu vi o clamor da comunidade. Então, por isso, eu fiquei ao lado da Paula”, afirmou.

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A escolha, segundo Lemes, contrariou o posicionamento do titular da cadeira e desencadeou uma série de cobranças para que mudasse de lado na disputa.

O suplente contou que, nos dias anteriores à votação, recebeu ligações e convites insistentes para participar de encontros com integrantes dos grupos políticos envolvidos na eleição. Ele afirmou que a situação passou a interferir inclusive em sua rotina pessoal.

“Eu não aguentava mais a pressão na minha casa, no telefone, para passar para esse lado, participar de almoço, de jantar”, relatou.

Durante a entrevista, Lemes também comentou a repercussão de fotografias em que apareceu ao lado de representantes de grupos adversários na disputa pela presidência. Segundo ele, a participação nesses registros ocorreu em meio às cobranças que recebia, numa tentativa de reduzir a pressão política.

Apesar de inicialmente defender Paula Calil, o parlamentar confirmou que acabou votando em Ilde Taques, integrando o grupo de 27 vereadores que apoiaram sua eleição.

O voto, entretanto, não foi suficiente para encerrar o desentendimento. Conforme Lemes, o titular da vaga considerou que sua postura durante as articulações havia provocado prejuízos políticos e passou a exigir que ele deixasse o mandato.

“Quando eu divergi de não votar no candidato dele e votar na Paula, foi aí que ele começou a fazer essa pressão agora da questão dessa renúncia”, declarou.

Questionado sobre a intensidade das cobranças, o vereador negou ter sido ameaçado. Segundo ele, os episódios se limitaram a pressões políticas e conversas relacionadas aos compromissos estabelecidos entre os envolvidos.

“Não, não chegou a ser ameaça, só pressões de diálogo, pressão política”, esclareceu.

Lemes sustentou que não existia obrigação de renunciar por determinação do titular e que poderia permanecer na cadeira durante o período inicialmente acordado. Mesmo assim, decidiu antecipar a saída para evitar a continuidade do conflito.

“Ele não tem direito nenhum de fazer eu renunciar, mas por um bom senso eu vou abrir o espaço novamente para ele”, afirmou.

O vereador relatou que havia assumido o compromisso de exercer temporariamente o mandato e que ainda pretendia utilizar o período restante para atender reivindicações de moradores da capital.

Ao comentar a decisão, demonstrou insatisfação com o encerramento antecipado de sua passagem pela Câmara e lembrou sua participação na construção política que garantiu a eleição do titular.

“É triste a situação porque eu ajudei a elegê-lo. Fizemos essa conversa para eu vir para cá, assumir a Casa e fazer um trabalho político”, disse.

Apesar do desgaste, Lemes afirmou que pretende preservar o relacionamento com os demais parlamentares, incluindo aqueles com quem teve divergências durante a eleição da Mesa Diretora.

“Não quero quebrar ponte. Quero continuar conversando com ele, com todo mundo, com o Ilde Taques. Por isso eu achei melhor renunciar”, declarou.

A renúncia abre espaço para a convocação de Misael Galvão, segundo suplente do PSD. Conforme a Procuradoria da Câmara, ele permanecerá no exercício do mandato até 12 de novembro, quando se encerra o período de substituição, já que a volta do titular está prevista para o dia 13.

A saída de Antônio Lemes ocorre após a eleição da Mesa Diretora e encerra antecipadamente sua participação temporária no Legislativo municipal. As alegações de pressão política foram apresentadas pelo próprio ex-ocupante da cadeira e não vieram acompanhadas, no material fornecido, de manifestação do titular sobre o episódio.