OPERAÇÃO FAKE EAGLE

Polícia desarticula em Cuiabá grupo suspeito de aplicar golpes usando contas de terceiros

· 3 min de leitura
Polícia desarticula em Cuiabá grupo suspeito de aplicar golpes usando contas de terceiros
Foto: Reprodução / PJC

Grupo é suspeito de tentar aplicar golpe de R$ 29 mil em funcionária de empresa gaúcha usando a imagem do diretor da companhia

A Polícia Civil de Mato Grosso participa, nesta terça-feira (1º), da Operação Fake Eagle, coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul para desarticular um grupo suspeito de aplicar golpes virtuais utilizando identidades falsas e contas bancárias de terceiros para movimentar dinheiro.

Em Cuiabá, são cumpridas sete ordens judiciais: três mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão. Os alvos são apontados como integrantes da estrutura operacional do grupo e tiveram os endereços localizados na Capital.

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A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DPRCPE/DERCC), do Rio Grande do Sul. Em Mato Grosso, participam da ação equipes da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

Foto: PJC

Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam uma estrutura formada por contas bancárias de terceiros, números de telefone, aparelhos celulares e diferentes serviços digitais para executar as fraudes e dificultar a identificação dos responsáveis.

A apuração começou depois que uma empresa localizada em Esteio (RS) quase foi vítima de um golpe. Uma funcionária do setor financeiro recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de um número que utilizava a foto do diretor da empresa. Na conversa, o criminoso solicitou uma transferência de aproximadamente R$ 29 mil.

Foto: PJC

A tentativa acabou frustrada porque a funcionária percebeu que a abordagem não correspondia à maneira habitual de comunicação do diretor e decidiu não efetuar o pagamento. Para receber o dinheiro, os criminosos haviam indicado uma conta bancária pertencente a outra pessoa.

A partir das informações da conta utilizada na tentativa de fraude, os investigadores passaram a cruzar dados bancários, telefônicos, telemáticos e de conexões com a internet. O trabalho levou os policiais até uma estrutura criminosa que, segundo a investigação, funcionava a partir de Cuiabá.

Foto: PJC

Um dos mecanismos utilizados pelo grupo chamou a atenção dos investigadores. Embora os criminosos empregassem uma linha telefônica com DDD 51, associado ao Rio Grande do Sul, os dados das antenas de telefonia indicaram que o aparelho utilizado na abordagem estava em Cuiabá.

A investigação identificou posteriormente outros 14 números com o mesmo código de área. A suspeita é de que os criminosos utilizassem linhas com DDD 51 para transmitir às vítimas a aparência de que as abordagens partiam do próprio Estado.

O grupo também teria utilizado diversas contas digitais e bancárias, algumas registradas em nome de terceiros. Conforme a apuração, os valores recebidos eram rapidamente transferidos para outras contas, criando uma cadeia de movimentações que dificultava o rastreamento do dinheiro.

Dados fornecidos por empresas de tecnologia também apontaram conexões entre diferentes contas, dispositivos e estruturas de acesso. De acordo com os investigadores, os elementos reunidos indicam que os envolvidos atuavam de forma coordenada.

Três pessoas foram apontadas como integrantes do núcleo operacional investigado. Cada uma teria desempenhado funções relacionadas ao gerenciamento de contas digitais, à infraestrutura de conexão e ao acesso às contas bancárias utilizadas nas fraudes.

Ainda segundo a investigação, os integrantes se revezavam no acompanhamento das contas bancárias e permaneciam aguardando a confirmação de eventuais transferências realizadas pelas vítimas.

Além das prisões, os mandados de busca têm como objetivo localizar celulares, computadores, chips, cartões bancários, documentos, dispositivos de armazenamento e outros materiais que possam contribuir para a identificação de novas vítimas e esclarecer a extensão da atuação do grupo.

Os investigados poderão responder por tentativa de estelionato mediante fraude eletrônica e associação criminosa. A análise dos materiais apreendidos poderá levar à identificação de outros crimes e envolvidos.