OPERAÇÃO ENGODO DIGITAL

PJC bloqueia R$ 21,4 milhões e mira influenciadora em operação contra bets ilegais em Sorriso

· 3 min de leitura
PJC bloqueia R$ 21,4 milhões e mira influenciadora em operação contra bets ilegais em Sorriso

Entre os alvos está uma influenciadora de Sorriso com mais de 115 mil seguidores, apontada como peça central do esquema

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso colocou no centro das apurações uma rede que, segundo os investigadores, teria usado influência nas redes sociais, empresas e operações financeiras para movimentar dinheiro ligado a apostas clandestinas.

A Operação Engodo Digital foi deflagrada nesta terça-feira (18) pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop. A ação mira suspeitos de envolvimento com exploração ilegal de jogos de azar, captação irregular de apostas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e organização criminosa.

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A Justiça autorizou 56 medidas contra pessoas e empresas investigadas. Entre elas estão 14 buscas em imóveis, bloqueios de contas bancárias que ultrapassam R$ 21,4 milhões, sequestro de veículos e outros bens, acesso a dados armazenados em dispositivos eletrônicos e restrições sobre contas utilizadas nas redes sociais.

Também foram determinadas medidas cautelares, como a apreensão de passaportes. As decisões partiram do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias, Polo Sinop.

A ofensiva tem como alvo 10 pessoas e oito empresas. Parte das medidas é cumprida em Sorriso, no norte de Mato Grosso, enquanto outras três ordens foram direcionadas ao estado de São Paulo, sendo duas na Capital e uma em São Bernardo do Campo.

A operação conta com policiais das delegacias regionais de Sinop e Nova Mutum. Em território paulista, o cumprimento das ordens recebe apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC).

Entre os investigados está uma influenciadora digital de Sorriso, seguida por mais de 115 mil pessoas em uma rede social. De acordo com a investigação, ela teria utilizado a própria exposição na internet para direcionar seguidores a plataformas de jogos que não possuíam autorização para funcionar.

Os investigadores também apontam que a influenciadora administrava, juntamente com outra mulher investigada, um grupo no WhatsApp utilizado para compartilhar endereços eletrônicos e instruções relacionadas às apostas.

A análise financeira feita pela Polícia Civil identificou mais de R$ 28 milhões movimentados entre 2023 e 2025 sem declaração, segundo a investigação. Para os policiais, existem indícios de que os recursos estejam relacionados à exploração de apostas ilegais pela internet.

O dinheiro, conforme a apuração, circulava por empresas vinculadas ao setor de pagamentos e às plataformas investigadas. Entre os nomes citados estão Cash Pay Meios de Pagamento Ltda., All Bet Entretenimento Ltda., Bytech Ltda. e HKP Pay Pagamentos.

A investigação aponta que, depois de ingressarem no sistema financeiro por meio dessas empresas, os valores eram transferidos para pessoas próximas à influenciadora e outros envolvidos. A suspeita é de que a estrutura tenha sido utilizada para dificultar a identificação da origem do dinheiro.

Para isso, os investigadores também encontraram indícios da utilização de empresas criadas ou reorganizadas com a finalidade de esconder a movimentação financeira. Entre os casos analisados estão negócios do setor de beleza que, segundo a Polícia Civil, podem ter sido utilizados em operações societárias consideradas simuladas.

As apurações ainda levaram os investigadores mato-grossenses até uma investigação conduzida pela Polícia Federal. Parte dos alvos localizados em São Paulo é investigada por possível relação com a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF em abril.

A operação federal apurou uma estrutura financeira relacionada a plataformas clandestinas de apostas e investigou a circulação de dinheiro para o exterior. Entre os presos na ocasião estavam os cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, o influenciador Chrys Dias e o responsável pela página Choquei.

Segundo os elementos reunidos na investigação federal, uma fintech teria funcionado como ponto de concentração dos recursos obtidos por meio das plataformas clandestinas, permitindo posteriormente a transferência dos valores para fora do Brasil.

Essa mesma empresa e o proprietário dela passaram a integrar também o rol de investigados da Operação Engodo Digital. Em São Paulo, a Justiça autorizou buscas, bloqueio e sequestro de patrimônio e valores, além da retenção do passaporte.

Com a deflagração da operação, a Polícia Civil pretende avançar na análise dos documentos, equipamentos e informações financeiras apreendidos para esclarecer como funcionava a estrutura, identificar o destino dos recursos e individualizar a eventual responsabilidade de cada investigado.