Paciente com esquizofrenia teria sido agredido, amarrado e morto durante contenção dentro da unidade de tratamento
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) denunciou o plantonista Odiley Rodrigues de Souza, de 44 anos, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual pela morte de Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, ocorrida em uma clínica terapêutica no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá. A denúncia foi apresentada após a conclusão das investigações sobre o caso, registrado no fim de maio.
Alessandro, que realizava tratamento contra dependência química e era diagnosticado com esquizofrenia, estava internado na unidade quando, durante a madrugada, apresentou um quadro de agitação. Segundo o Ministério Público, o plantonista entrou no quarto para contê-lo e passou a agredi-lo fisicamente, utilizando golpes, chutes e técnicas de estrangulamento. Em outro momento da mesma madrugada, a vítima voltou a apresentar comportamento alterado e teria sido novamente imobilizada, ficando amarrada com os braços para trás.
De acordo com a denúncia, Alessandro foi morto por estrangulamento enquanto já estava sem condições de reagir. O laudo da necropsia apontou que a causa da morte foi uma lesão grave provocada na região do pescoço, incompatível com a versão inicialmente apresentada pelo funcionário. O Ministério Público atribuiu ao acusado as qualificadoras de motivo fútil, uso de asfixia e impossibilidade de defesa da vítima, além de destacar que o crime teria sido cometido contra uma pessoa enferma sob seus cuidados.
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As investigações também apontam que, após a morte, o plantonista teria alterado a cena para simular um suicídio por enforcamento. No entanto, exames periciais descartaram essa hipótese ao identificar marcas de contenção física e inconsistências na posição em que o corpo foi encontrado.
Durante a apuração, a clínica também entrou na mira das autoridades. Segundo o Ministério Público, o estabelecimento deixou de apresentar documentos solicitados pela investigação, como livros de ocorrência, escalas de funcionários e registros de atendimento. Além disso, um relatório da Vigilância Sanitária identificou cerca de 60 irregularidades relacionadas às condições de funcionamento da unidade, incluindo falhas estruturais, deficiência no quadro de profissionais e problemas considerados graves para a segurança dos pacientes.