Deputado Estadual Júlio Campos (UB), disse que o ex-deputado está lotado na presidência da ALMT, com cargo presencial, mas que não comparece há meses
O ex-deputado estadual Ulysses Moraes voltou ao centro das críticas políticas em Mato Grosso após intensificar sua atuação nas redes sociais enquanto ocupa cargo com salário elevado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Para adversários e parte da opinião pública, a situação expõe um contraste incômodo entre a remuneração bancada pelo contribuinte e a efetiva dedicação ao trabalho institucional.


Nos bastidores da política mato-grossense, cresce o questionamento sobre a rotina funcional do ex-parlamentar, acusado de transformar a estrutura pública em palco permanente para produção de vídeos ideológicos e ataques direcionados à esquerda. Críticos afirmam que, em vez de exercer funções técnicas ou administrativas de forma discreta e eficiente, Ulisses estaria priorizando conteúdos para redes sociais, muitos deles marcados por tom agressivo e confrontos com cidadãos comuns entrevistados em vias públicas.
Os vídeos, que circulam amplamente em plataformas digitais, mostram embates políticos e provocações direcionadas principalmente a eleitores de esquerda. Em diversos episódios, entrevistados são expostos em situações constrangedoras, virando alvo de comentários, cortes virais e humilhação pública nas redes. Para analistas políticos, o modelo de comunicação aposta mais na ridicularização do adversário do que no debate qualificado de propostas.
A principal crítica feita por opositores é que o discurso anticasta adotado por Ulysses Moraes perde força diante do próprio vínculo com o poder público. Enquanto se apresenta como combatente do sistema político tradicional, o ex-deputado permanece ligado à máquina estatal, recebendo remuneração considerada alta para padrões do funcionalismo político regional. O questionamento é direto: afinal, o foco está no serviço público ou na construção de uma carreira digital baseada em polarização?
Aliados tentam defender o ex-parlamentar afirmando que ele exerce liberdade política e comunicação direta com a população. Ainda assim, o desgaste cresce entre setores que enxergam exagero na espetacularização da política. Para esses críticos, o ambiente público virou um “palco de lacração”, onde o objetivo principal já não seria fiscalizar governos ou apresentar soluções, mas produzir cortes virais capazes de gerar engajamento, monetização e capital político.
A polêmica também reacende um debate mais amplo sobre o uso da máquina pública por figuras políticas que migraram da atuação parlamentar tradicional para o ativismo digital permanente. Em Mato Grosso, adversários avaliam que a estratégia de confronto constante pode manter relevância nas redes, mas também amplia rejeições entre eleitores moderados cansados da radicalização política e da exposição humilhante de cidadãos comuns.
Enquanto isso, permanece a cobrança por mais transparência sobre produtividade, presença e efetivo desempenho funcional dentro da Assembleia Legislativa. Em tempos de crise nos serviços públicos e desconfiança crescente da população com a classe política, o eleitor tende a exigir coerência entre discurso moralizador e prática cotidiana.