Entre os detidos está um ex-intérprete do Mickey Mouse, acusado de tentar aliciar um adolescente pela internet
Uma operação policial realizada durante sete dias no Condado de Polk, na Flórida, nos Estados Unidos, terminou com 281 pessoas presas por suspeitas de envolvimento em crimes relacionados à exploração sexual infantil, prostituição e tráfico humano. Batizada de Operação Polk Around & Find Out II, a ação resultou em quase 500 acusações criminais e identificou 11 possíveis vítimas de tráfico de pessoas, segundo as autoridades norte-americanas.
A ofensiva foi coordenada pelo gabinete do xerife Grady Judd e reuniu duas investigações conduzidas por agentes disfarçados. Uma delas teve como objetivo localizar adultos que utilizavam a internet para tentar marcar encontros sexuais com crianças e adolescentes. Nessa etapa, 32 suspeitos foram presos após negociarem encontros com pessoas que acreditavam ser menores de idade.
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A segunda frente da operação concentrou-se em atividades relacionadas à prostituição e ao tráfico humano, resultando em 249 detenções. Desse total, 117 pessoas foram apontadas como suspeitas de tentar comprar serviços sexuais, enquanto outras 122 foram detidas por acusações ligadas à prostituição.
Entre os presos estão 17 pessoas vinculadas profissionalmente aos parques temáticos da Walt Disney World e da Universal Studios. Conforme as informações divulgadas, sete delas são investigadas por acusações de crimes sexuais contra menores. As empresas informaram o desligamento dos funcionários envolvidos.
Um dos casos apresentados durante a coletiva de imprensa envolve Collin Klaco, de 24 anos, ex-funcionário da Disney que já trabalhou interpretando o personagem Mickey Mouse. Morador de Clermont, ele foi preso após manter conversas pela internet com um investigador que fingia ser responsável por um menino de 13 anos.
De acordo com a polícia, Klaco demonstrou interesse em encontrar o adolescente e se deslocou até o endereço combinado. No momento da abordagem, carregava duas mochilas com fraldas, algumas delas estampadas com personagens da Disney.

O suspeito, que já não trabalhava na Walt Disney World quando foi detido, passou a responder por acusações que incluem aliciamento de menor por meio eletrônico, deslocamento para encontro com menor de idade e tentativa de prática de ato sexual contra criança.
Durante a apresentação dos resultados, o xerife Grady Judd relatou que o ex-funcionário teria manifestado interesse em utilizar fraldas e praticar atos de natureza sexual. O policial classificou o comportamento atribuído ao investigado como extremamente perturbador.
A operação também alcançou pessoas que exerciam atividades com crianças e adolescentes. Entre elas está Rashawn Crayton, de 31 anos, treinador principal de uma equipe juvenil de futebol americano formada por atletas de 11 a 14 anos. Segundo os investigadores, ele marcou um encontro com quem acreditava ser uma adolescente de 14 anos e compareceu ao local levando objetos de natureza sexual.
Outro detido foi Eric Raymond, policial do Condado de Orange que atuava em uma instituição de ensino. Ele teria respondido a um anúncio fictício de serviços sexuais e combinado um encontro com um agente disfarçado. Após a prisão, foi afastado das atividades policiais e transferido para funções administrativas enquanto responde à acusação de solicitação de prostituição.
O balanço divulgado pelas autoridades aponta que os 281 presos acumulavam 798 acusações criminais anteriores, sendo 358 referentes a crimes graves. Apenas 40 detidos moravam no Condado de Polk. Os demais eram provenientes de outras regiões da Flórida, de outros 20 estados norte-americanos e de 18 países.
A polícia informou ainda que 32 presos foram identificados como imigrantes em situação irregular, provenientes de nove países, entre eles Cuba, Venezuela, México e Haiti. Outros nove estavam em liberdade condicional por crimes anteriores.
Durante as investigações, 11 pessoas foram identificadas como possíveis vítimas de tráfico humano e receberam oferta de serviços de assistência. As autoridades também apontaram que 22 investigados recebiam, juntos, US$ 8.373 mensais em benefícios sociais.
Ao divulgar os resultados, Grady Judd chamou a atenção para os riscos de aliciamento de menores em ambientes virtuais e orientou pais e responsáveis a acompanhar as atividades dos filhos na internet.
“Esses predadores estão por aí, online, tentando aliciar e abusar de nossas crianças. As coisas que eles dizem às crianças são vis, repugnantes e impróprias para qualquer pessoa. Esses predadores precisam ser presos”, afirmou o xerife.
O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, também comentou a operação e declarou que o estado continuará investigando suspeitas de exploração sexual infantil e buscando a responsabilização dos envolvidos.
As acusações apresentadas pelas autoridades ainda serão analisadas pela Justiça norte-americana. As prisões não representam condenação definitiva dos investigados.