A derrota de Janaina Riva (MDB) na disputa pelo Senado pode ser explicada por uma combinação de fatores políticos que acabaram comprimindo sua candidatura justamente na reta final. O primeiro deles foi nacional: a forte onda da direita e, particularmente, do bolsonarismo que marcou as eleições de 2026.
O PL alcançou seu melhor resultado histórico no Congresso, com 121 deputados federais e 19 das 54 cadeiras do Senado. Em Mato Grosso, esse movimento encontrou terreno ainda mais favorável e ajudou a impulsionar José Medeiros (PL), identificado diretamente com o bolsonarismo.
Janaina terminou a eleição em terceiro lugar, com 519.434 votos (14,53% dos válidos). Mauro Mendes (União) liderou com 1.187.352 votos (33,21%), enquanto Medeiros ficou com a segunda vaga, com 977.777 votos (27,35%).
A distância mostra que, apesar da estrutura política acumulada em três mandatos na Assembleia, e de sua presença nas pesquisas durante a campanha, Janaina não conseguiu acompanhar a polarização que se consolidou em torno dos dois vencedores.
Um segundo componente foi a própria arquitetura de sua aliança. O MDB fechou coligação com o PL de Wellington Fagundes, derrotado ao Governo e sogro de Janaina. A composição pretendia aproximá-la do eleitorado conservador, mas encontrou resistência dentro do próprio PL.
Medeiros criticou publicamente a tentativa de Wellington (também visto com desconfiança pelo eleitor bolsonarista) de inserir Janaina no campo bolsonarista, e lideranças da legenda também apontaram desgaste provocado pela união com o MDB.
Na prática, Janaina ficou numa posição eleitoral difícil: estava formalmente no mesmo projeto político de Wellington e do PL, mas disputava uma das duas vagas do Senado justamente com Medeiros, candidato que tinha identificação mais direta com o eleitor bolsonarista.
Ao mesmo tempo, Wellington - classificado por muitos como "melancia" - enfrentou uma campanha marcada por divisões internas no PL e acabou derrotado por Otaviano Pivetta ainda no primeiro turno. A aliança, portanto, não produziu para Janaina a transferência política que sua candidatura buscava.
Suplentes
Outro desgaste ocorreu na escolha dos suplentes. A chapa passou por sucessivas mudanças durante a campanha. A primeira suplência acabou ocupada pelo empresário Danilo Trento, que já havia sido alvo da CPI da Pandemia e teve seu nome citado em investigação relacionada às fraudes nos descontos de aposentados do INSS.
A segunda suplência ficou com Rafael Yamada Torres, cujo nome também aparecia em procedimentos judiciais. Antes da composição definitiva, a candidatura já havia enfrentado uma sequência de substituições e até um rompimento público com a delegada aposentada Ana Cristina Feldner.
Essas escolhas forneceram munição aos adversários e dificultaram uma candidatura que precisava ampliar seu eleitorado para além da base tradicional.
Em uma eleição nacionalmente marcada pelo discurso de renovação e pela força da direita, ter suplentes envolvidos em controvérsias criou um flanco adicional. É importante registrar que Janaina afirmou durante a campanha que a composição não foi uma decisão pessoal, mas resultado de acordos políticos dentro do MDB, e sustentou que cada integrante deveria responder individualmente por seus atos.
Força da circunstância
Há ainda uma contradição que ajuda a explicar o resultado: Janaina tentou construir uma candidatura mais ampla e suprapartidária, fazendo acenos a diferentes grupos, enquanto a eleição caminhava na direção oposta, com identidades políticas cada vez mais definidas.
Sua estratégia poderia ampliar pontes em uma disputa menos polarizada, mas, diante da força do bolsonarismo em Mato Grosso, tornou mais difícil ocupar com nitidez o espaço da direita, já reivindicado por Medeiros.
O resultado representa uma mudança importante na trajetória da deputada. Janaina vinha de três eleições consecutivas para a Assembleia Legislativa e havia sido a deputada estadual mais votada de Mato Grosso em 2018 e 2022.
Em 2026, porém, encontrou uma disputa de outra dimensão: enfrentou dois candidatos fortemente posicionados em campos políticos consolidados e terminou com menos da metade dos votos de Medeiros e de Mendes.
Mais do que um único erro, portanto, a derrota resulta da soma de circunstâncias: uma onda nacional favorável ao bolsonarismo; uma aliança com Wellington que não conseguiu unificar sequer o próprio campo político; uma candidatura espremida pela força de Medeiros à direita; e uma montagem conturbada das suplências, que abriu espaço para questionamentos na reta final.
Separadamente, talvez nenhum desses fatores fosse decisivo. Juntos, ajudam a compreender como uma candidata que iniciou a disputa competitiva terminou distante das duas vagas ao Senado.