LUTO NA MÚSICA

Morre cantor Netinho, ícone do axé e dono do sucesso “Milla”, aos 60 anos de idade

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Morre cantor Netinho, ícone do axé e dono do sucesso “Milla”, aos 60 anos de idade
O cantor Netinho - Foto: Reprodução / Internet

Artista enfrentava um câncer do sistema linfático desde 2025 e estava internado em Salvador

O cantor Netinho, que marcou a história do axé music com sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. O artista estava em tratamento contra um linfoma, tipo de câncer que atinge o sistema linfático, diagnosticado em 2025.

A morte foi confirmada pela equipe do músico. Segundo informações divulgadas pela assessoria, a despedida acontecerá de maneira reservada, conforme desejo manifestado pelo próprio cantor. O velório e a cremação serão restritos aos familiares e amigos mais próximos.

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Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em 12 de julho de 1966. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, cidade onde iniciou sua ligação com a música e construiu a carreira que o levaria ao reconhecimento nacional.

O primeiro violão chegou aos 14 anos, como presente da mãe. Na adolescência, começou a se apresentar em escolas e, posteriormente, passou a cantar profissionalmente em bares, interpretando músicas de MPB e bossa nova. Chegou a ingressar no curso de Engenharia Civil, mas acabou seguindo a carreira artística.

A projeção nacional começou em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. Naquele período, conquistou espaço no Carnaval de Salvador e alcançou as rádios brasileiras com “Beijo na Boca”.

Depois de deixar o grupo, em 1993, Netinho iniciou uma nova fase profissional. Três anos mais tarde, lançou “Milla”, canção que se transformou em um dos maiores sucessos de sua trajetória e ajudou a popularizar o axé em diferentes regiões do país.

O repertório também reuniu músicas como “Fim de Semana”, “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida É Festa”. Com apresentações no Brasil e no exterior, o cantor participou da expansão do gênero musical que ganhou força a partir da Bahia.

Além dos palcos, investiu na produção musical. No Rio de Janeiro, montou um estúdio que recebeu artistas brasileiros e internacionais, entre eles Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Também criou um selo voltado à divulgação de novos talentos baianos.

A carreira, entretanto, foi marcada por problemas de saúde. Em 2013, Netinho sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que comprometeram sua voz e o afastaram por quatro anos do Carnaval de Salvador.

Em março de 2025, o artista tornou público o diagnóstico de câncer após uma internação provocada por dores intensas nas pernas. Desde então, compartilhava informações sobre o tratamento com seus seguidores.

A doença voltou a exigir cuidados hospitalares em 2026. Em setembro, a equipe informou que o cantor havia sido internado novamente em Salvador após a recidiva do linfoma e que se afastaria das redes sociais para se dedicar à recuperação.

Fora da música, Netinho também teve uma breve participação na política. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal (PL), mas não foi eleito. O cantor também declarou apoio público ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na vida pessoal, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna.

Com décadas de carreira, Netinho deixa uma trajetória ligada à consolidação do axé music e canções que marcaram gerações de brasileiros.