Padre Nazareno Lanciotti atuou por três décadas em Jauru, enfrentou o tráfico e a exploração de pessoas e teve o martírio reconhecido pelo Vaticano; Igreja Católica celebrou neste sábado (13) a beatificação
A Igreja Católica celebrou neste sábado (13) a beatificação do padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano que dedicou mais de 30 anos de sua vida à evangelização e às ações sociais em Mato Grosso. A cerimônia foi realizada em Jauru, município onde o sacerdote construiu sua trajetória pastoral e deixou um legado marcado pela defesa dos mais vulneráveis.
Nascido em Roma, em 1940, Nazareno Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966 e chegou ao Brasil em 1971. Pouco tempo depois, estabeleceu-se em Jauru, onde passou a atuar junto às comunidades carentes, promovendo iniciativas religiosas, educacionais e assistenciais.
Reconhecido pela forte devoção mariana e pela dedicação à Eucaristia, o sacerdote também ficou conhecido pelo trabalho em favor de famílias em situação de vulnerabilidade. Entre suas ações, destacou-se a criação de projetos de assistência médica e o enfrentamento de problemas sociais como o tráfico de drogas e a exploração sexual.
Amigos e pessoas que conviveram com o religioso lembram que sua confiança na providência divina era uma das características mais marcantes. Mesmo diante de dificuldades financeiras e da falta de infraestrutura na região onde atuava, ele manteve sua missão voltada ao atendimento da população mais necessitada.
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Morte trágica
A trajetória de padre Nazareno teve um desfecho trágico em fevereiro de 2001. Na época, dois homens invadiram sua residência e efetuaram um disparo que o deixou gravemente ferido. O sacerdote morreu dias depois, aos 61 anos. Antes de falecer, perdoou os responsáveis pelo atentado.
Em abril de 2025, o Vaticano reconheceu oficialmente sua morte como martírio por ódio à fé, passo fundamental para o processo de beatificação. A decisão abriu caminho para que o missionário fosse declarado beato, tornando-se uma das referências mais recentes da fé católica no Brasil.
A celebração foi presidida pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz, representante do Papa Leão XIV, e reuniu fiéis, religiosos e moradores da região que acompanharam a trajetória do sacerdote ao longo das últimas décadas.
Com a beatificação, padre Nazareno Lanciotti passa a ser oficialmente venerado pela Igreja Católica como exemplo de fé, serviço e entrega aos mais pobres, fortalecendo sua história como um dos grandes missionários que atuaram em Mato Grosso.